Mínimo de 20 minutos por consulta médica no Serviço Regional de Saúde

Médicos A
Consultas médicas, no Serviço Regional de Saúde, passam a ter um mínimo de 20 minutos de duração. Para entrar em vigor só falta ser publicado no JORAM o Acordo de Empresa, o que ainda não aconteceu.

O Acordo de Empresa assinado entre o SESARAM e as estruturas sindicais, formalizado a três dias das últimas eleições autárquicas, ainda não foi publicado em Diário da Região. Os profissionais aguardam, com expetativa, a publicação desse entendimento, que permite um conjunto de situações que satisfazem e normalizam o relacionamento entre as partes, com resultados evidentes de melhor prestação de serviço aos utentes.

A Ordem dos Médicos mostra-se satisfeita com esse acordo, aponta os aspetos positivos desta definição de direitos e deveres. “Esta é uma situação que os sindicatos têm procurado estabelecer no Continente, até ao momento sem sucesso, e que na Região é conseguido pelas partes e constitui um passo positivo”, reage o responsável pela Ordem dos Médicos na Região.

A circunstância de estabelecer mínimo de 20 minutos para uma consulta pode resultar no entendimento que as listas de espera poderão aumentar, uma vez que esse período permite o atendimento de três utentes por hora. Pedro Freitas diz que pode haver quem aponte essa situação, mas ressalva que “se um médico considerar que aquilo que está a fazer permite ver dois utentes, nada o impede de fazer”, salientando que, por outro lado, também existiam pessoas que criticavam o facto de entrarem no consultório e cinco minutos depois estarem a sair sem sequer terem sido vistas convenientemente. E realmente, se um médico tiver 40 doentes para gerir em duas horas, não tem mesmo tempo para andar a ver todos”.

Se porventura essa nova realidade refletir um aumento da lista de espera para consultas, Pedro Freitas diz que “o Governo não tem outra alternativa que não seja contratar mais profissionais. Acho que é salutar esta defesa dos doentes”.

Por outro lado, para além do número de consultas, o novo acordo salvaguarda quem tem internos em formação, que passa a poder descontar algumas das suas horas semanais para o efeito. “Se queremos internos bem formados, temos que dedicar tempo. Esta definição de horas serve nos dois sentidos”.

Outra situação prende-se com o período de repouso, que até este momento não estava bem definido e que passa a ficar melhor enquadrado. Pedro Freitas diz que “este período estava consagrado na lei, mas os diretores de serviço iam protelando porque precisavam dos médicos. Com este acordo, se não for dada a folga no primeiro mês, basta o médico enviar uma carta a solicitar a mesma, com 72 horas de antecedência, tendo em vista assegurar o serviço atempadamente”.