Retroação sobre o VIII Congresso de Educação Artística

Para Gisèle Barret, “a retroação é entendida como um meio de expressão e de comunicação que é apoiada no vivido e na experiência”. (Martins, 2002:186).

Assim, todos os participantes no VIII Congresso de Educação Artística deveriam desenvolver uma análise crítica sobre as experiências realizadas, a fim de poder apreendê-las melhor.

Na realidade, decorreu pedagogicamente e artisticamente bem, o VIII Congresso de Educação Artística, realizado nos dias 6, 7 e 8 de setembro, numa feliz organização da Divisão de Serviços de Educação Artística e Multimédia – Secretaria Regional de Educação.

Um evento de educação artística dirigido a professores, investigadores, estudantes, gestores e administradores educativos, artistas, animadores culturais, animadores dos serviços educativos dos museus, agentes culturais e demais interessados nas exigentes questões educativas.

Em termos de metodologia educacional, ficou bem patente na conferência de abertura: “Educação com Futuro”, proferida pelo Dr. Jorge Rio Cardoso, onde destacou e bem a importância do aluno participar ativamente no seu processo de aprendizagem, sendo o professor, não um mero expositor, mas um fulcral orientador. O professor como agente de ensino deve procurar orientar os alunos de maneira a que cada cabeça saiba pensar e agir com os outros em equipa. O docente deve, inevitavelmente, contribuir com momentos pedagógicos que possam ir à realidade dos alunos e os faça despertar para o conhecimento e a criatividade. Por isso, é que o professor deve gostar do que faz e procurar atualizar-se, para poder ensinar ainda melhor.

No decorrer deste Congresso, realçou-se também a importância de uma disciplina de comunicação oral na escola, de maneira que desperte no aluno o prazer de se expressar verbalmente. Daí que o Teatro-educação, que é a minha área de eleição, seja visto e procurado como uma disciplina que tem um papel fundamental no desenvolvimento da oralidade e criatividade das crianças e jovens.

Realço a realização de momentos artísticos com música e teatro, que foram muito enriquecedores para os presentes. Bem como, a apresentação prática na cerimónia de encerramento de um exercício elaborado no workshop “Da Poesia à Performance Artística”, que tive a honra de orientar.

Ficou claro neste Congresso que a prática artística orientada é um caminho a usar em contexto de sala de aula e extra sala, ajudando os nossos estudantes a melhorar a comunicação com o outro e a desenvolver o pensamento critico e criativo.

Também demostrou-se a importância das escolas apostarem na sensibilização para a criação de novas ferramentas pedagógicas a partir da produção de audiovisual escolar, de maneira a que os professores usem novos métodos pedagógicos na sala de aula.

As novas tecnologias fizeram e fazem a sociedade mudar de uma forma muito rápida, daí que a escola tem que apostar forte na área das tenologias em prol de uma educação, que vá mais ao encontro dos interesses das crianças e jovens, sempre sem descorar a qualidade de excelência do ensino.

Reconheceu-se que as áreas artísticas na educação têm de certa forma sabido articular bem o uso das novas tecnologias, com a utilização de novos métodos pedagógicos na sala de aula, o que tem resultado em trabalhos artisticamente mais criativos.

Vincou-se que os agentes de ensino devem trabalhar a educação numa perspetiva holística e multicultural, de forma a termos alunos artisticamente criativos, críticos e cultos. Há que incentivar a educação para a cultura. Há que incluir a temática da cultura no quotidiano dos alunos e no espaço escolar, para termos na escola uma cultura participativa, através da partilha de conhecimentos. Como foi referido numa das comunicações do congresso, para Edward Burnett Tylor, “ a cultura ou civilização, entendida no seu sentido etnográfico mais amplo, é o conjunto complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, o direito, o costume e toda a demais capacidade ou hábito adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade.” Fonte: https://www.infopedia.pt/$edward-burnett-tylor).

Realça-se a realização da “Feira de edições”, onde os congressistas puderam adquirir diversos material ligado ao universo da educação artística, desde, CDs, DVDs, livros, revistas. Este material é uma excelente ferramenta de apoio didático para o conhecimento e desenvolvimento da área artística, dentro e fora das aulas de aulas. E ao logo dos três dias do Congresso, ficou assente que a escola pode e deve ser também um espaço de oportunidade de talentos artísticos.

Louva-se a iniciativa do “Prémio Mérito Artístico” que, este ano, distinguiu o serviço educativo do Museu Arte Sacra pela sua qualidade, longevidade e impacto educativo junto das crianças e jovens.

Julgo que este Congresso de Educação Artística, serviu para motivar, refletir e discutir as boas práticas educativas – onde se inclui as artísticas. Sublinha-se pela positiva, o facto de os professores também terem a oportunidade de participar ativamente num leque muito alargado de Workshops nas várias áreas artísticas e outros de certa forma com uma ligação ao universo da educação (artes plásticas, dança, música, teatro e multimédia impressão 3d, Música, Teatro, Performance, dança, yoga, fantoches de filtro, arte-terapia) que veio enriquecer e satisfazer as expetativas dos congressistas.

A felicidade na educação também foi abordada neste VIII Congresso de Educação Artística, pois um aluno para ter sucesso na sua vida escolar, tem que sentir-se feliz, por isso é que a escola tem que ser um espaço de felicidade. Um espaço que vá ao encontro das expetativas dos alunos, que os orientem para a criação de um futuro promissor.

Os docentes devem criar condições para que o aluno possa aprender num espaço de escuta e de voz ativa. Só um professor motivado pode orientar e motivar pedagogicamente bem os seus alunos. E neste congresso “respirou-se” motivação. Motivação para aprender e ensinar de uma forma mais adequada. Não tenhamos dúvidas que “o ensino das artes ajuda a restabelecer a relação entre os processos científicos e emocionais, e a intuição, que é um elemento-chave para cultivar atitudes que promovam a abertura intercultural. A educação artística também pode servir para abordar o etnocentrismo, os preconceitos culturais, os estereótipos, a discriminação e o racismo.” Fonte: http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001847/184755por.pdf).

Este Congresso de 2017, permitiu um debate alargado e participativo sobre temas que estão diretamente ligados ao campo da educação artística e geral, o que levará, certamente, cada professor a ver qual é a melhor aplicabilidade no contexto de ensino-aprendizagem da sua prática docente.  Pois o mais importante na educação não é o que fazemos, mas o processo como o fazemos. E só com este caminho de aposta na formação e entrega, é que podemos continuar a contribuir para melhorar o sistema educativo com aprendizagens de sucesso.