Menezes de Oliveira assume lugar de vereador, lembra que representa metade do Porto Santo e recusa “passar cheques em branco”

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Menezes de Oliveira vai assumir o lugar de vereador na Câmara do Porto Santo e lembra que representa metade dos eleitores.

Por um voto se ganha, por um voto se perde. Não foi por um voto, mas foi por 32 que Menezes de Oliveira perdeu a Câmara do Porto Santo para Idalino Vasconcelos, do PSD. A ilha mudou, tal como acontecera há quatro anos quando o candidato do PS destronou o PSD do poder. Metade vota num lado, metade vota noutro e nestas eleições houve um dado novo chamado José António Castro. Resultado: 2 vereadores para o PSD, 2 para o PS e 1 para o movimento “Mais Porto Santo”.
Hoje, foi a Assembleia de Apuramento de resultados, confirmando que para a Câmara Municipal, o PSD obteve 1.283 votos contra 1.251 do PS. O movimento “Mais Porto Santo” teve 452 votos e o CDS 125. Para a Assembleia Municipal, a diferença é maior: PSD – 1368 e PS- 1.137, com o projeto de José António Castro a reunir 420 votos. Para a Assembleia de Freguesia, o PSD obteve 1.442 votos e o PS 1.196. O movimento “Mais Porto Santo” teve 372 votos.
Menezes de Oliveira não tem dúvidas: “Fomos castigados por metade dos eleitores do Porto Santo”. Lembra que nem na Assembleia Municipal nem na Câmara existem maiorias absolutas, mas afirma, sem reservas, que vai assumir o lugar de vereador, para o qual foi eleito, além de regressar à sua vida profissional de advogado. Mas acima de tudo quer “honrar os compromissos assumidos com o eleitorado que votou na minha candidatura”. Diz ter feito tudo para evitar que esta situação acontecesse, para dar estabilidade aos orgãos autárquicos, mas infelizmente a população não compreendeu essa situação e decidiu repartir os votos”.
A explicação para este comportamento do eleitorado, na perspetiva de Menezes de Oliveira, tem a ver com uma “intoxicação de informações falsas e cuja motivação só compete à presidente da Assembleia Municipal e ao PSD, que foi o partido que mais utilizou o terrorismo político durante este mandato”. Recorda aquilo que, em sua opinião, foi “um bom trabalho da gestão socialista na Câmara, até porque encontrámos um município mergulhado na lama e projetámos a marca Porto Santo. A população assim não entendeu, decidiu penalizar-nos pela margem mínima de 32 votos”.
Face a esta nova realidade eleitoral, o autarca que sai de cena enquanto presidente da Câmara já aponta objetivos: “Estamos fortemente empenhados, como sempre, em respeitar quem apostou e apoiou o nosso projeto, que é metade do Porto Santo”. Felicita o presidente da Câmara eleito, Idalino Vasconcelos, bem como a equipa vencedora, mas também diz ter orgulho na sua equipa. E, posto isto, projeta o futuro da “dialética” autárquica: “Não contem connosco para passar cheques em branco”.
Relativamente a José António Castro, não sabe qual será a posição do vereador eleito pelo movimento “Mais Porto Santo”. Por isso, não quer avançar com posições que visem perspetivar o futuro. Diz que sai “de cabeça erguida, com o sentido de dever cumprido”, admite que poderia ter feito mais, mas lembra que “quatro anos representam pouco tempo”. Parte, agora, para outro patamar, ser vereador “sem pelouros” na oposição. Recusa fazer o papel de “corpo presente” e vai deixando votos para que, tanto o PSD como o movimento de José António Castro, “cumpram escrupulosamente todos os compromissos, que foram muitos, assumidos perante a população do Porto Santo. Cá estaremos para fiscalizar a nova gestão camarária”.

Tranquiliza, no entanto, os seus companheiros de vereação: “Vamos manter uma relação institucional de cooperação, sempre com a perspetiva daquilo que for melhor para o Porto Santo. Não vou fazer como me fizeram, fizeram-me a vida negra”.