Eleições autárquicas 2017 na Madeira

1. Os resultados regionais das eleições autárquicas 2017, confirmam o fim absoluto da hegemonia PSD-Madeira. Porque muita coisa mudou e não se pense que foi só o afastamento do seu indefectível representante, Alberto João Jardim.

2. O PSD-Madeira, outrora hegemónico em termos eleitorais na Madeira, hoje sofre as agruras de algumas derrotas, porque se converteu num partido auto-suficiente, convencido que bastava viver dos rendimentos herdados e que não necessitava de governar para as pessoas, para o povo madeirense, a única razão de ser da sua existência. Tem andado convencido que pode continuar a encolher os ombros perante as lacunas da saúde, realidade tão essencial na vida quotidiana das pessoas e que pode continuar a governar só para alguns, os mesmos da sua família política, os “donos disto tudo”. Esse tempo acabou, o povo eleitor há muito que percebeu isso, só PSD-Madeira é que não. Provou-se que nada está garantido e que o mesmo povo que foi levado em cantigas durante quase 40 anos morreu.

3. Estes resultados das eleições têm dados muito interessantes. O principal é que se começa a viver a alternância política, o primeiro valor e o mais bonito do sistema democrático. Neste âmbito, o Porto Santo é um exemplo a ter em conta, embora também revele, que as pessoas não gostam de ver e de saber que o partido que as governa anda o mandato inteiro mergulhado em divisões, com tricas e laricas entre os seus membros. Lições que não devem passar em branco por nenhum partido político. A vitória do PSD foi por uma unha negra, mas a alternância aconteceu e vai ser necessário muita sabedoria e humildade para fazer nascer em Porto Santo uma geringonça, para que a Câmara seja governável.

4. Um segundo elemento interessante, é que pela primeira vez na Madeira temos uma mulher como Presidente de Câmara, Célia Pessegueiro, na Ponta Sol. Muito bonito e bem revelador de alguma maturidade democrática a par da alternância que começa a cimentar-se entre nós. A vitória da Célia Pessegueiro confirmou o que andei a pensar enquanto decorria a campanha eleitoral, que lhe traria um bom resultado o seu empenho no porta a porta e todo o entusiasmo que a sua campanha revelava.

5. Um ponto quanto às maiorias absolutas, onde se viu umas serem confirmadas e outras reforçadas. Obviamente, que para quem governa é mais confortável ter maioria absoluta, mas para os governados, essencialmente, as minorias, que também têm o seu lugar e são importantes na democracia, as coisas tornam-se mais complexas e mais difíceis. Se antes desconfiava das maiorias, hoje, tenham a cor que tiverem, continuo a vê-las com desconfiança e até prova em contrário, a meu ver, nunca são de todo benéficas para o povo em geral. Se a alternância é o primeiro dos valores da democracia, o diálogo vem logo a seguir. Esperemos que nenhuma maioria agora confirmada e algumas reforçadas não esqueçam esse princípio basilar da democracia, que é o diálogo e o respeito pelos adversários. Mas, adiante, os votos expressos é que mandam.

6. Finalmente, face aos resultados destas eleições, que cada partido político e as pessoas que os representam mais diretamente, tirem as devidas ilações e lições sem ilusões. Muito há para pensar e em muitos casos arrepiar caminhos e políticas totalmente erradas que por aqui e por ali têm semeando descontentamento, mas também ao mesmo tempo vontade de mudanças e maturidade democrática.

7. Conclusão, as campanhas sujas não dão frutos. Ainda bem. Uma lição enorme. A abstenção diminui, mas ainda longe do desejável. Porém, é um começo que se deve assinalar com gosto. Mesmo no fim de tudo, o mais importante, que o eleitos não esqueçam as promessas e que já hoje comecem a trabalhar para as cumprir. Vamos todos estar atentos.