Polémica em Santa Cruz: doente preso a cadeira de rodas queixa-se de Filipe Sousa mas o autarca rejeita críticas

Dependente da doença, Augusto Carvalho critica a CMSC mas o presidente alega tentar resolver o problema. Foto divulgada no Facebook.

O caso tem sido comentado em Santa Cruz e até mesmo nas redes sociais. Augusto Carvalho é um septuagenário que padece de uma doença venosa crónica e que está aos cuidados da Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz. Preso a uma cadeira de rodas manual, queixa-se de o presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz lhe ter “prometido há mais de um ano uma cadeira de rodas elétrica e nada ter feito”, apesar do agravamento da sua situação de saúde.

O presidente Filipe Sousa, pela voz da sua chefe de gabinete Raquel Gonçalves, esclarece o FN que o equipamento já foi encomendado e que o responsável pela Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz, após consulta prévia do edil, manifestou-se contra esta aquisição por razões de segurança.

O caso tem sido visto como uma situação de cariz humanitária com contornos controversos. Augusto Carvalho está aos cuidados da Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz e praticamente não conta com família. Sem grande instrução, doente e com alguma solidão e amargura pelo meio, colocou, num primeiro momento, o problema da doença ao presidente Filipe Sousa que lhe terá “prometido uma cadeira de rodas elétrica”, uma vez que o equipamento manual que dispõe o limita bastante na sua locomoção já muito reduzida, dado o agravamento da doença venosa.

Segundo amigos próximos de Augusto Carvalho relatam ao FN, o simples ato de ter de pressionar a cadeira manual é cada vez mais penoso para quem está a ficar gradualmente limitado nos seus movimentos e até usa luvas porque também as mãos têm lesões. Acontece que, segundo este cidadão, Filipe Sousa terá prometido e não cumprido a promessa, correndo mesmo o boato de que “terá sido mais uma promessa de cariz eleitoral”. Neste momento, o cidadão está revoltado e, por vezes, chega mesmo a cair no insulto à autarquia, porque não consegue disfarçar “a indignação” acumulada com o agravamento da doença. Segundo as pessoas que seguem este caso, “o Sr presidente Filipe Sousa não é obrigado a dar cadeiras de rodas elétrica aos seus munícipes e lá sabe das suas prioridades, que devem ser incontáveis. Mas o cerne da questão é que prometeu algo que não está a cumprir. Inclusive já foi abordado pelo próprio doente e outras pessoas nesse sentido, tendo o presidente se queixado de uma postura incorreta do doente, o que não justifica a falta de cumprimento de uma promessa. Então, teria sido melhor se o Sr presidente não tivesse ter prometido nada ou será que o fez por razões eleitoralistas?”

Autarquia tem outra versão

A versão dos acontecimentos por parte do presidente Filipe Sousa é bem distinta. Instado por escrito pelo FN a explicar esta polémica, a sua chefe de gabinete, Raquel Gonçalves, rapidamente explicou a posição da CMSC que se reproduz na íntegra: “A questão da aquisição da cadeira elétrica foi realmente colocada, mas uma vez consultada a Santa Casa, através do seu responsável, este foi contra a sua aquisição, alegando razões de segurança, uma vez que o utente costuma andar pelas ruas de Santa Cruz. Refira-se que o Senhor Presidente não prometeu ao senhor em causa a aquisição da cadeira para seu uso pessoal, até porque nunca foi prática prometer e não cumprir. Não obstante, foi já encomendada, há algum tempo, uma cadeira de rodas elétrica ao mesmo fornecedor da nova ambulância dos Bombeiros. Este bem só não foi entregue ainda à instituição Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz por manifesta indisponibilidade do fornecedor. Uma vez entregue, será a Santa Casa a decidir quem vai usufruir desse bem”.