Colocada! Madalena Costa conta a aventura da integração na Universidade da Beira Interior

Madalena Costa atravessa o período de integração na Universidade da Beira Interior, o salto para o ensino superior.

O FN continua a acompanhar e a dar voz aos jovens madeirenses que entraram este ano nas universidades portuguesas. São momentos marcantes que mudam radicalmente a vida dos jovens e também das famílias que acreditam na importância da formação superior.

Madalena Costa foi colocada no curso de Psicologia na Universidade da Beira Interior. Uma viragem que ainda está a interiorizar como centenas de outros estudantes. Bombardeada com múltiplas informações para assimilar de um momento a outro, desde a mudança de residência à integração no universo universitário da Covilhã, esta jovem luta para concretizar o sonho de formar-se em Psicologia. O FN reproduz o seu testemunho.
“Quando soube que fiquei colocada na Universidade da Beira Interior, reagi com grande entusiasmo. No entanto, a minha família estava a contar que eu ficasse em Lisboa porque era lá que tinha casa para ficar (do meu padrasto), sendo mais fácil a transição. Depois de muito stress à volta desta colocação, devido à procura de quarto, ao não conhecimento do local e à falta de tempo para organizar tudo, tudo se foi compondo.
Madalena com o suporte da mãe na maratona da instalação na Covilhã.
Ainda na Madeira, procurei, com a ajuda da minha mãe, quarto, o que não foi tarefa fácil. Estavam todos ocupados e muitos deles queriam conhecer o estudante que iria ocupar o espaço. Vinda da Madeira, não havia possibilidade de chegar mais cedo para ver casas, pois as viagens estavam caras e não podíamos correr o risco de ir para a Covilhã sem casa fixa. Portanto, numa última tentativa de arranjar alojamento, depois de várias rejeições, acabámos por descobrir um quarto que não tinha fotos para mostrar, cuja informação que constava do site não estava atualizada, habitado também por três estudantes do mesmo curso, Psicologia, em anos diferentes e todas da Madeira. 
Foi uma aventura partir, muitas emoções, relacionamentos deixados na Madeira, família longe, autonomia, uma nova etapa da vida prestes a começar.
A cidade conta com uma diversidade de estudantes, de várias etnias.

Decidi ser anti-praxe

As minhas colegas de casa são muito simpáticas e estão a ajudar-me a integrar. Decidi ser anti-praxe e, para além disso, cheguei dias mais tarde à Covilhã, o que fez com que a minha integração fosse mais lenta. Não me arrependo de ser anti-praxe, pois segui a minha intuição e as minhas crenças. No entanto, já comecei a criar amizades com pessoas do meu ano e de outros.
Muitas das pessoas que conheci neste curto espaço de tempo na Covilhã parecem ser simpáticas, mas assim como em todos os espaços pequenos e rurais também existem aquelas pessoas mais “fechadas” e tradicionais. Duas pessoas mais idosas, em situações diferentes, já me chamaram de rapaz… Pelo corte de cabelo?
No entanto, os estudantes são muito mais diversificados. Vê-se nas ruas raparigas de cabelo pintado, diferentes estilos de vestuário, diferentes orientações sexuais, diferentes etnias e diferentes raças. Há efetivamente vários alunos estrangeiros, até agora reparei mais nos brasileiros e nos grupos de rapazes de cor que andam pelas ruas e até têm o seu próprio bar/discoteca, com músicas da sua terra como o kizomba.
Também gostaria de encontrar um sítio acolhedor com ligação à natureza, que aprecio muito. Por isso, na minha opinião, a Covilhã foi o sítio ideal para eu ficar.
Sair da Madeira foi difícil porque deixei muitas amizades e pessoas com quem já tinha confiança e aquele à-vontade para ser quem sou. É sempre difícil ir para um sitio novo e ter que começar a criar essa confiança outra vez. Mas aos poucos tudo se consegue.
Como estou num relacionamento há dois anos com uma pessoa da Madeira, a separação acaba por tornar esta mudança ainda mais difícil.
A Covilhã oferece também a tranquilidade e a beleza aos estudantes.

Mais responsabilidade e autonomia

Por fim, e naturalmente muito importante, sei que vou sentir saudades dos passeios aos fins de semana pela Praia Formosa e do meu irmãozinho de 3 anos, com quem sempre vivi. A minha irmã mais velha iniciou agora o seu mestrado em Braga. Por isso, neste momento estamos todos separados e é verdadeiramente uma grande mudança na família.
Sensação de liberdade? Sim, mas também de mais responsabilidade e autonomia. Um caminho diferente que comecei a trilhar e que conto com a boa ajuda dos amigos.