Cafôfo pede maioria absoluta no Funchal e diz que foi “encontrando esqueletos nos armários da Câmara”, com “dívida” e “situação de falência”

Paulo Cafôfo B
Paulo Cafôfo diz que encontrou a Câmara com uma dívida, “em outubro de 2013, de 101 milhões de euros e neste momento é de 52 milhões”.

O professor que há quatro anos aceitou o desafio da “Coligação Mudança” e que retirou o poder autárquico ao PSD, propõe-se a um segundo mandato, agora com mais certezas. Mantém a coligação, mas diferente da outra. Altera “Mudança” para “Confiança”, mas o objetivo é o mesmo: ganhar. Nunca pensou ser político, muito menos presidente da Câmara. Foi a votos e o eleitorado deu-lhe “sinal verde” para avançar com o rótulo da mudança, o que na prática representou o fim da hegemonia “laranja” na autarquia funchalense, que se assume, por ser a capital, como a “coroa desejada” que expressa, no fundo, a “fortaleza” do poder na Região. Agora, é diferente, tem um mandato em cima, uma experiência de gestão municipal e uma visão também política do exercício do cargo, naturalmente mais madura. Não foge a novo projeto, fala com o povo a cada passo e é de passo em passo que pensa chegar vitorioso quando a 1 de outubro ocorrer a contagem de votos.

O meu único compromisso é com os funchalenses”

Do Ensino para a Câmara e da Câmara para o Governo. Poderá ser este o percurso do professor que é autarca e que, quem sabe, pode vir a atingir outros patamares, como é perfeitamente enquadrada a leitura política feita à luz daquilo que tem sido o percurso e a dimensão da popularidade. Confrontado com este cenário, em vésperas das autárquicas, reage naturalmente: “Gosto daquilo que faço e tenho uma paixão muito grande por esta missão à frente da Câmara Municipal do Funchal. Aquilo que penso, relativamente ao meu futuro, é no Funchal e em vencer estas eleições, não escondo que gostaria de ganhar com maioria absoluta porque tenho condições para fazer mais e melhor. O meu único compromisso é com os funchalenses”.

Não esperava encontrar uma situação tão má na Câmara”

Admite uma bipolarização nestas eleições. De um lado Cafôfo, do outro Rubina. Deixa a escolha para o eleitorado, mas “transpira” confiança, que conclui em função dos contactos que vem mantendo com as pessoas “olhos nos olhos”. Reforça a ideia que “não começámos a trabalhar só agora, em campanha, trabalhamos desde o dia 21 de outubro de 2013, dia da posse. Fizemos mais e melhor com menos, queremos continuar esse trabalho”.

Fomos encontrando esqueletos nos armários da Câmara”

Quando entrou na Câmara, em 2013, confessa, não esperava “encontrar uma situação tão má como a que encontrámos. Fomos encontrando esqueletos nos armários da Câmara do Funchal. A dívida e a situação de falência da autarquia foram situações violentas, essencialmente porque tínhamos que respeitar compromissos assumidos anteriormente, como não poderia deixar de ser pelo entendimento que temos relativamente à forma como deve ser gerida uma câmara. Demos o exemplo de credibilizar a nossa autarquia, seja no pagamento a tempo e horas aos nossos fornecedores, mas também na redução da dívida, que em outubro de 2013 era de 101 milhões de euros e neste momento é de 52 milhões, num esforço feito apenas a expensas desta gestão camarária. Não tivemos ajuda de programas para pagamento de dívidas, como foi o PAEL, nem tão pouco tivemos ajuda do Governo Regional, através de contratos-programa. Foi tudo feito à custa do orçamento municipal”.

Redução de impostos às famílias

Cafofo Trapiche estrada B
“O meu único compromisso é com os funchalenses”.

Foi “com rigor”, como reforça Paulo Cafôfo, rigor também assente na redução das despesas correntes, com cortes na frota automóvel, nos combustíveis, em eventos como o Funchal Jazz, que “esta Câmara conseguiu criar condições de investimento”. Aponta a redução de impostos às famílias e a respetiva diminuição da carga fiscal “que nunca antes tinha sido feita”, como compensação aos munícipes depois dos períodos difíceis da “troika” e do Plano de Ajustamento Financeiro na Região, que configurava uma “dupla penalização” enquanto cidadãos portugueses na Madeira. “Chegámos à Câmara com a convicção de ter uma outra postura, de credibilizar a autarquia e aliviar os encargos das famílias, conseguimos reduzir 10 milhões de euros de impostos, com devolução do IRS e o IMI à taxa mais baixa, só para dar dois exemplos”.

Esta Câmara reduziu IMI e IRS, coisa que a dra. Rubina Leal nunca fez”

Cafôfo confronta-se com posições de Rubina Leal, candidata do PSD, que diz estar esta Câmara a cobrar mais impostos aos funchalenses em comparação com as anteriores vereações comandadas pelo PSD. O presidente da Câmara e candidato da Coligação Confiança” rebate acusações e lembra que “esta Câmara reduziu IMI e IRS, coisa que a dra. Rubina Leal nunca fez quando pertenceu à vereação do anterior executivo. Quero dizer-lhe, também, que era bom que a dra. Rubina Leal, enquanto esteve no Governo, tivesse podido devolver o IRS que o Governo tem em dívida para com a Câmara do Funchal, no valor de 5 milhões de euros. Se quisesse beneficiar os funchalenses já o poderia ter feito, porque desempenhou funções no Governo e na autarquia. E enquanto a dra. Rubina Leal esteve no governo, nunca celebrou contratos-programas com a Câmara, apesar de nós termos feito uma proposta de 4 milhões de euros para que o Governo pudesse investir no Funchal, mas que foi rejeitada”.

Faturas pagas à ARM exceto as que estão nos tribunais

A Câmara diz que o Governo deve dinheiro, o Governo diz que a Câmara deve dinheiro. Tem sido, este, um dos contextos da discussão pública que vem ocorrendo nos últimos dias relativamente a questões que têm a ver com verbas. A última, veio da secretaria do Ambiente, que acusa a Câmara do Funchal de não cumprir com pagamentos à ARM (Águas e Resíduos da Madeira). Paulo Cafôfo explica: “Tudo o que têm sido faturas da ARM foram pagas, exceto aquelas que estão no âmbito da discussão judicial. Seja na questão dos resíduos, seja no que se prende com o aumento de água que o Governo pretendia fazer e que iria penalizar os munícipes. Não há qualquer incumprimento da nossa parte”.

Não inventar no futuro da cidade

Animosidades à parte, questões politico partidárias à parte, Paulo Cafôfo tem, sobretudo, um olhar para o futuro da cidade e não esconde o propósito de modernizar o Funchal, já de si “uma cidade bonita”. O trabalho de futuro, diz, está facilitado “porque o Funchal é uma cidade muito atrativa, muito especial, com um enorme potencial”. Relativamente ao futuro do Funchal, “é preciso não inventar e, neste contexto, temos que apontar ao futuro da cidade respeitando a sua identidade e a sua história”.

Reabilitação urbana “essencial”

Identifica três problemas que precisam ser “atacados” em novo mandato, se os funchalenses garantirem a vitória á Coligação nas autárquicas de 1 de outubro. Um, tem a ver com a reabilitação urbana, que “é essencial, não só no aspeto estético da cidade, mas muito mais na importância que isso tem para o emprego, acima de tudo na construção civil. Não podemos esquecer que, nesse domínio, é preciso muita mão de obra, mais do que as grandes obras que implicam a utilização de máquinas e menos trabalhadores. Depois, as implicações que isso tem na habitação, em consequência do prédios reabilitados”.

Felisberta
A Câmara está em negociações para aquisição do prédio da antiga “Felisberta”.

A reabilitação urbana, segundo Paulo Cafôfo, “já mudou a face do Funchal, o que é uma inversão daquilo que vinha acontecendo com o definhar de prédios, de valor histórico, além do encerramento de lojas comerciais”. Tem uma estratégia para o futuro e traça um rumo, afirma que a Câmara “vai criar condições para que os privados possam investir e recuperar, uma vez que a autarquia não pode recuperar todos os edifícios, sendo necessário estabelecer parcerias que tornem possível a concretização dos projetos”. Foi feita “uma área de reabilitação urbana, com benefícios e incentivos para o investimento, que passam pela isenção de taxas municipais. Já temos 70 prédios que foram ou estão a ser beneficiados com esses apoios. Criámos uma operação integrada, que estendeu esses benefícios fiscais por 15 anos, mas a própria Câmara já estabeleceu um conjunto de investimentos “para dar o exemplo de contágio na reabilitação de edifícios que depois terão uso e darão vida à cidade”.

Felisberta” em negociações, estação do Monte já adquirida

Neste enquadramento, encontra-se, por um lado o prédio onde funcionava, em tempos idos, a confeitaria “Felisberta”, na Rua das Pretas, com Paulo Cafôfo a dizer que a Câmara mantém, neste momento, “negociações para aquisição do edifício”, e por outro, já em posse camarária, está o edifício da antiga estação de combóio do Monte, que “será reabilitado para instalar um posto de informação turística”.

Retirar amianto e construir mais habitação social

Outro problema prende-se com a habitação: “Iniciámos um processo relacionado com a eliminação do amianto nos bairros sociais camarários, já temos obras no terreno visando a construção de novos bairros que, prioritariamente, vão garantir saúde e segurança às pessoas que neste momento não vivem nas melhores condições. E não queremos ficar por aqui, vamos criar mais habitação social, em função das necessidades no nosso concelho, que são muitas.

Acessibilidades e saneamento básico nas zonas altas

Indica o terceiro problema, que se relaciona com as zonas altas, referindo já ter sido desenvolvido “um trabalho valorizado pelas pessoas, sendo uma grande satisfação, para mim, verificar a satisfação dos munícipes dessas zonas, entre elas Barreira, Galeão, entre outras, relativamente ao que temos realizado. Mas ainda há mais por fazer, criando novas acessibilidades, veredas alargadas, saneamento básico por colocar. Já temos este investimento previsto, conhecemos bem a cidade e temos capacidade para o fazer”.