Estepilha! Sem promessas não há votos e como eles sabem seduzir…

O Estepilha segue, enternecido, qual criança que nasceu ontem, as juras de amor dos candidatos aos eleitores. E ainda dizem que os políticos já não se apaixonam como antigamente. Se isto não é paixão e fogo, caramba, o Estepilha já não sabe viver. Mesmo que tudo acabe em cinzas, que seja eterno enquanto dura.

Candidato que se preze leva a tiracolo um Ipad (lá se foi o tempo da sacola) cheio de promessas, verdadeiras declarações de amor que, francamente, parecem genuínas e eternas. Sem promessas não há votos e há que namorar a cruzinha para o boletim de voto porque a boda está à porta.

O Estepilha só tem um modesto sonho: ser apenas e só conselheiro ou adjunto de quem chegar à chefia do governo das câmaras, esse paradigmático cargo da democracia governativa pós-revolução dos cravos onde tudo encaixa. Não quer mandar, quer ser mandado; não quer discutir, quer abanar afirmativamente a cabeça; não quer governar ou driblar o chefe para chegar ao topo, quer fintar e gerir afetos e sorrisos; tudo o mais são cocktails e selfis. What else?

Já os cabeças de lista das candidaturas às pobres mas disputadíssimas e endividadas autarquias da Região jogam a isca compreensivelmente mais alto. É por lealdade ao amor, para uns, é pelas pessoas – essa massa fofinha – para outros que fazem a força anímica deste combate do qual sairão todos vencedores na longa noite de 1 de outubro. Os chamados partidos do arco do poder  arriscam no tudo ou nada, que é o mesmo que dizer na maioria absoluta, afinal, viver atrelado é incómodo e obriga a cedências. Já bem basta uma gerigonça no Continente. A penthouse absoluta do poder tem sempre mais encanto na hora da vitória absoluta.

As candidaturas mais pequeninas lá atiram uns mísseis para agitar o discurso eleitoral politicamente correto mas também vão à pesca com a promessa estilo vendaval: uma vez no poder,  que se aguentem os patos bravos do regime que vem aí um tornado nível 6, face ao qual o furacão Irma terá sido mera brisa de verão.

A Comissão Nacional de Eleições está atenta, lembra o Estepilha. Ora, há que se portar bem neste jogo de alta sedução, sem rasteirar o adversário, porque lá vai queixa dos partidos embrulhada à CNE e puxão de orelhas na certa. Mas o Estepilha sossega e sorri, afinal, tudo isto faz parte do galanteio. Amor que se preze sem zanga ou ciúme não é verdadeiro amor. Então, o encanto após as pazes não se explica…