Estepilha: se o CR7 localiza a Madeira, o AJJ não fica atrás

Rui Marote

Falar a língua de Camões nestas paragens do Cáucaso onde actualmente me encontro, é como encontrar uma agulha num palheiro.
Nestes quinze dias em que tenho estado por estes lados só falo português com o computador e nas minhas orações… porque Deus escuta-nos e não necessita de tradutor.
Sou muitas vezes abordado pelos caucasianos, com curiosidade em saberem a minha nacionalidade.
Respondo: Sou de Portugal, de uma ilha pequenina, a Madeira… 99 por cento desconhece. É aqui que aplico o nome do maior jogador do mundo, Cristiano Ronaldo, explicando que o futebolista nasceu numa ilha onde nasci e vivo.
A explicação por vezes não é entendida e então recorro a um papel e a uma caneta,  desenhando o mapa e o tal pontinho no meio do Atlântico… Sempre com a referência marroquina, para que possam entender que somos vizinhos de Marrocos.
Uns entendem, outros não, e as conversas terminam sempre no CR7…
Mas esta não fazia parte do programa e foi totalmente inesperada. Fora de Baku, no Azerbeijão, quando visitava o parque rupestre de Gobustan, sou alertado por uns sons abrasileirados de um grupo de cinco pessoas com um guia local, falando um português acessível. Ora, não é tarde nem é cedo, penseio. Vou abordar o guia. E o mesmo responde-me: sou o único no Azerbaijão que faço “tours” para portugueses e brasileiros.
O guia pergunta-me se sou de Lisboa  Não, respondo. Sou de uma ilha portuguesa, a Madeira…  Resposta imediata: “Madeira, ah! ah! … Terra do presidente Alberto João, o meu avô… Ele esteve neste local, fui o guia”, diz-me, brincando. Estepilha, pensei… Não sabia que o AJJ tinha netos nestas paragens…