Enfermeiros saíram às ruas do Funchal em protesto, numa manifestação que juntou centenas

Os enfermeiros continuam com a sua luta. Hoje, cerca de cinco centenas de enfermeiros, segundo a organização, juntaram-se numa manifestação que se reuniu à entrada do Hospital Dr. Nélio Mendonça, onde ainda ontem à noite decorreu também uma vigília. Os enfermeiros, gritando palavras de ordem e apelando alto e bom som à mobilização da classe, percorreram de seguida a pé a distância que os separava do Hospital e o Palácio de São Lourenço. A manifestação, que percorreu as Avenidas Luís de Camões, do Infante e Arriaga, alcançou assim grande projecção e visibilidade, quer entre os residentes locais, que estão ao corrente da greve dos enfermeiros e do que os motiva, mas também entre os visitantes estrangeiros e turistas, que foram surpreendidos pela movimentação e que indagavam sobre o porquê do protesto.

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A aglomeração de enfermeiros vestidos de negro, à semelhança de manifestações anteriores no âmbito da greve que têm desenvolvido, parou, pois, à porta do Palácio de São Lourenço, enviando uma delegação encabeçada pela delegada sindical Márcia Ornelas para ser ouvida pelo representante da República, Ireneu Cabral Barreto.

Esta responsável declarou aos jornalistas que deixou ao cuidado de Ireneu Barreto os itens que estão a ser negociados com o Governo. Questionada sobre o que espera do representante, Márcia Ornelas salientou que esta é uma questão que diz respeito ao governo central, pelo que este responsável tomará conhecimento das queixas dos enfermeiros, poderá opinar sobre as mesmas, “mas a resolução final será sempre do Governo”.

Curioso é notar que, na Madeira, onde os serviços de saúde estão regionalizados, os enfermeiros não realizaram nenhuma paragem frente à Quinta Vigia. Márcia Ornelas justificou essa opção com o facto de os enfermeiros tencionarem ter, futuramente, uma reunião, com os responsáveis regionais. No entender da porta-voz, o governo regional pode fazer alguma pressão junto do governo da República para que as reclamações dos enfermeiros da Região sejam atendidas. “Estamos aqui cerca de 500 enfermeiros, o que significa que alguma coisa na enfermagem não está bem”, asseverou. “Nós queremos uma revisão da carreira, um reconhecimento da enfermagem e de todos os enfermeiros”, declarou.

Anunciada uma nova paralisação de enfermeiros a nível nacional, e questionada sobre se os enfermeiros da Madeira vão aderir, a porta-voz disse que, atendendo a que não concordaram com os itens negociados pelo outro sindicato, “penso que essa paralisação dessa greve não se fará sentir muito” na Região.

Márcia Ornelas sublinhou estar “muito satisfeita” com a adesão à greve e à manifestação que esta tarde percorreu as ruas da cidade. “Não há memória, nos últimos anos, de uma manifestação com tantos elementos. Penso que isto significa qualquer coisa, nomeadamente que os enfermeiros estão no seu ponto de exaustão, no seu máximo de insatisfação”.

Para esta responsável, a maioria da população está do lado dos enfermeiros nestas suas reivindicações, “porque a maioria das pessoas que são cuidadas pelos enfermeiros, sabem do que nós falamos”.

Sobre se o número de dias de greve não terá sido exagerado, admitiu que “há quem diga que sim e quem diga que não”, mas o objectivo da greve “é ter impacto e fazer reflectir os nossos governos sobre o que exigimos”.

Os serviços mínimos, em seu entender, estão garantidos, e a integridade dos utentes foi salvaguardada. “Daí que ache que não há prejudicados” com a presente greve, frisou.

Depois da concentração frente ao Palácio de São Lourenço, os enfermeiros deslocaram-se para a Assembleia Legislativa Regional, em frente da qual gritaram, cantaram e protestaram para todos ouvirem.