Aqui há gato!

Ilustração de José Alves.

As investigações prosseguem silenciosamente e lentamente, bem à portuguesa, para apurar as circunstâncias criminais em que 13 pessoas morreram no Monte, a 15 de agosto de 2017,  faz hoje um mês, e 51 ficaram feridas.

Os políticos vivem o frenesim eleitoral rumo ao poder e acham que o assunto tragédia do Monte deve ser tabu. Uma nódoa numa toalha alva que não convém manchar. O silêncio sobre este assunto é necessariamente de ouro em nome da cassete eleitoral.

Os jornalistas, se abordam o tema, são rotulados impiedosamente – mesmo por aqueles que diariamente pedem divulgação jornalística dos seus folhetins – de inoportunos e analfabetos. Nem nos debates o tema pode sequer ser mencionado, veja-se ao ponto que isto vai.

Valha-nos, nesta floresta de enganos, o Ministério Público que lá vai deixando cair uma ou outra informação aos seus indefectíveis para dizer a maior novidade de sempre, que a investigação durará meses e meses. Ficamos tranquilos porque, finalmente, este MP, que acordou três dias após a tragédia ter acontecido, vai seguramente defender o cidadão e o direito à vida dos que morreram.

Tudo somado, o FN só pode falar a linguagem dos animais para dizer, “aqui há gato!” Por isso mesmo, esqueçam os tabus porque o assunto é notícia para acompanhar e falar sempre, independentemente  dos calendários eleitorais e da vidinha privada de cada um. Recordamos, para que estes factos não sejam triturados por qualquer photoshop eleitoral ou sofisticada agência de comunicação: dezenas de alertas ao longo de 10 anos para o perigo das árvores apodrecidas no Monte, 13 mortos, 51 feridos e muitas famílias dos mortos a sofrerem no silêncio da ausência e do absurdo.