Um Príncipe entre políticos mas sem povo à sua espera

Do ponto de vista político, o presidente Miguel Albuquerque marcou pontos com esta visita do Príncipe Alberto. Mas falhou a presença do povo. Foto DR.

O Príncipe Alberto II do Mónaco encerrou a visita oficial à Madeira e Desertas e, do ponto de vista diplomático ou institucional, poderá dizer-se que foi um sucesso. Mas, o que ninguém ainda disse, embora tenham claramente visto (como diria Camões) foi o “fiasco” desta visita em termos de adesão popular.

Quem acompanhou a visita do Príncipe à Madeira e Desertas bem pôde constatar a simplicidade do Príncipe, o seu fácil trato, por todos considerado “muito acessível”, apesar do título que ostenta. No entanto, terá faltado um programa com a criatividade e empenho suficientes para assegurar a habitual mobilização popular, como já aconteceu no passado.  O passeio cheio de adrenalina no carro de cestos do Monte dá boas imagens para consumo mas não mobiliza as massas. Além disso, passeatas de cestos num espaço que está de luto por uma tragédia que matou 13 pessoas há menos de um mês, é humor negro. Em contraponto, há quem diga que a Praça do Povo e a Zona Velha da Cidade poderiam ter sido cenários mais do que justificados para um encontro do Príncipe com o povo que bem ficaria na memória das gentes. Escusado será argumentar com as rígidas questões da segurança, o tempo  ainda morno das férias, a agenda apertada, o protocolo e outros números.

Os testemunhos dão-nos conta de uma visita, que teve como principais anfitriões Miguel Albuquerque e Paulo Cafôfo, com nota muito positiva do ponto de vista institucional. Os canais ficam mais abertos entre uma Região periférica como a Madeira e o abastado Principado do Mónaco. Esperam-se, pois, mais negócios entre ambos por conta da arte e engenho der empresários e políticos da Região. No entanto, é sabido que a visita soube a pouco ou nada em termos de adesão popular. Basta lembrar a última visita de uma figura real à Madeira, o Rei de Espanha, que galvanizou a presença das massas.

Foto Alfredo Rodrigues.

Mas não só. O FN recorda que, ainda no tempo em que João Carlos Abreu foi secretário regional do Turismo, outras figuras reais passaram pela Madeira e a mobilização popular esteve sempre garantida por conta de uma outra sensibilidade para a programação destes eventos que contavam necessariamente e alegremente com o público. Afinal, Alberto do Mónaco é presença assíduas nas revistas cor de rosa, de elevadíssimo consumo popular, mas a aguardá-lo na Madeira um vazio de povo. É que Príncipe sem plebe, esgota-se nos retratos políticos. Uma reflexão a ser feita para próximas visitas reais à pacata mas sempre hospitaleira Madeira.