Rubina Berardo declarada ‘persona non grata’ no Azerbaijão por causa da visita à Arménia e a Nagorno-Karabakh

A deputada do PSD Madeira na Assembleia da República, Rubina Berardo terá sido considerada ‘persona non grata’ no Azerbaijão segundo noticiou anteontem o site ‘Portugal Notícias’ e a RTP.

Em causa está a visita da deputada à Arménia e ao Nagorno-Karabakh, um território cuja população reclama a independência do Azerbaijão.

Ontem, ao ‘Notícias ao Minuto’, a deputada social-democrata afirmou que se tratou de uma “viagem pessoal” e que “não foi em nome de ninguém”.

Referiu ainda que ao fazer a viagem àquele território estava consciente de que a consequência seria passar a integrar a lista negra daquele país.

Ainda segundo a mesma fonte de informação, Rubina Berardo soube que tinha sido considerada ‘persona non grata’ esta segunda-feira através de uma notícia publicada num meio de comunicação do Azerbaijão, não tendo sido ainda oficialmente informada ou notificada da decisão do país.

Não é a primeira vez que Rubina Berardo se envolve em causas fracturantes. Ainda recentemente visitou uma associação de uma comunidade cigana, no Seixal (continente)numa altura em que o PSD de Pedro Passos Coelho foi forçado a ‘engolir um sapo’ por causa da polémica em torno dos ciganos e do candidato ‘laranja’ à Câmara Municipal de Loures, André Ventura.

A história do conflito*

Reconhecido pela ONU como parte do Azerbaijão, Nagorno-Karabakh controla a maior parte do território do antigo Oblast Autônomo do Nagorno-Karabakh e algumas áreas circundante, dando-lhe uma fronteira com a Arménia, a oeste, e com o Irão, ao sul.

A região predominantemente arménia de Nagorno-Karabakh tornou-se motivo de disputa entre a Arménia e o Azerbaijão quando os dois países se tornaram independentes do Império Otomano, em 1918.

Quando a União Soviética tomou o controle da área, em 1923, formou-se o Oblast Autónomo do Nagorno-Karabakh (OANK), dentro da República Socialista Soviética do Azerbaijão, por decisão de Josef Stalin.

Nos últimos anos da União Soviética a região voltou a ser palco de conflitos entre arménios e azeris, o que culminou com a Guerra de Nagorno-Karabakh, que durou de 1988 até 1994.

A 10 de dezembro de 1991, à medida que a União Soviética entrava em colapso, um referendo foi realizado em OANK e na região vizinha de Shahumian, que teve como resultado uma declaração de independência do Azerbaijão, e a formação da República do Nagorno-Karabakh.

O país permanece sem reconhecimento de qualquer organização internacional ou país, inclusive da Arménia.

Desde o cessar-fogo de 1994, a maior parte de Nagorno-Karabakh e diversas regiões ao redor do Azerbaijão permanecem sob o controle conjunto de tropas arménias e das forças armadas de Nagorno-Karabakh.

Representantes dos governos da Arménia e do Azerbaijão têm mantido negociações de paz desde então, mediadas pelo Grupo de Minsk.

Atualmente, Nagorno-Karabakh é um estado independente autoproclamado República de Nagorno-Karabakh. Está fortemente dependente da República da Arménia e usa a sua moeda, o dram.

Os sucessivos governos arménios têm resistido à pressão interna de unir Nagorno-Karabakh àquele país, temendo as represálias do Azerbaijão e da comunidade internacional, que considera Nagorno-Karabakh parte do Azerbaijão.

As políticas arménias e de Nagorno-Karabakh estão tão intimamente ligadas que um antigo primeiro-ministro da República do Nagorno-Karabakh, Robert Kocharian, tornou-se primeiro-ministro (1997) e depois presidente arménio (de 1998 até ao presente).

Em setembro de 2004 realizaram-se conversações entre os presidentes da Arménia e do Azerbaijão, mas a disputa por esse território continua e o futuro permanece incerto.

*segundo o wikipedia