Aeroporto do Porto Santo “é porto de abrigo” para a Madeira e a falta de barco em janeiro “é culpa do Governo Regional”

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Menezes de Oliveira diz que o aeroporto do Porto Santo é “porto de abrigo” para a Madeira face a situações como aquela que a imagem corresponde.

Para uma ilha como o Porto Santo, o setor dos transportes, quer marítimos quer aéreos, assume uma importância vital de sobrevivência. Não só porque sofre dos efeitos acrescidos da dupla insularidade, mas também porque, sendo um destino essencialmente turístico, pode ver condicionado o seu desenvolvimento que agrava sobremaneira a sazonalidade que teima em permanecer como um entrave à estabilização da economia local, quer ao nível de ocupação hoteleira, quer na restauração e similares.

Porto Santo parceiro ativo nas novas dinâmicas

O presidente da Câmara diz que, por ironia do destino, os acontecimentos que nos últimos tempos têm atingido o Aeroporto Internacional da Madeira, com cancelamentos de voos e passageiros com longos tempos de espera, em virtude dos ventos, tornaram o Aeroporto do Porto Santo como o porto de abrigo para a Região. “É cada vez mais uma prática corrente, deixámos de ter um Aeroporto internacional, com presença da Nato, e construirmos o Aeroporto da Madeira, tendo em vista uma maior proximidade do turismo. Até aí tudo bem, mas é preciso, agora, pensar mais longe”.

A TAP põe em causa a marca Porto Santo

Menezes de Oliveira não tem dúvidas em afirmar que “o Porto Santo deve ser um parceiro ativo nas novas dinâmicas que mexem com as condições meteorológicas adversas que ninguém controla. E é através desse plano que vamos conseguir resolver os nossos problemas com os transportes. A Transavia já sabe que quando está mau tempo nem se atreve a aterrar na Madeira. Então pode fazer mais um voo e possibilitar a vinda de mais turistas e propiciar maior mobilidade aos naturais da ilha. A easyjet é igual. Agora, a TAP também tem que deixar de fazer o que muito bem entende, pratica preços incomportáveis e põe em causa a marca Porto Santo e a marca Madeira. Ninguém vem com bilhetes a 500 euros quando para a Europa é muito mais barato. O que a TAP está a fazer até viola o princípio da livre circulação de pessoas, bens e serviços”.

Avião Funchal/Porto Santo “é claustrofóbico”

A concessão da linha aérea Funchal-Porto Santo é outra das questões determinantes. A SATA foi “gulosa”, diz Menezes de Oliveira, referindo-se ao facto da empresa açoriana ter concorrido com um pacote de condições que acabaram por deixar a concorrência sozinha. Ficou a Aero Vip que presentemente opera o serviço, bem ou mal. Admite que o avião que está a operar “é claustrofóbico, sem condições para dar resposta a pessoas idosas, com mobilidade reduzida”, além de apontar outro problema que se prende com o número de voos, dois durante o inverno, que “não dão resposta às necessidades”. Mas diz que “até ao concurso público, é prematuro estar a falar, mas para já não serve o Porto Santo”.

Grupo Sousa aproveita clausulado

Relativamente ao transporte marítimo de passageiros, assegurado pela Porto Santo Line através do navio Lobo Marinho, o autarca põe a responsabilidade no Governo Regional. E explica porquê: “O Governo sabe que esta concessão não visa o lucro, trata-se de uma operação alicerçada num serviço público, por isso é subsidiada E o grupo Sousa, aproveitando o clausulado muito rígido, protegeu-se para tirar benefícios”.

Engordaram muito o “pato” e é o que se vê”

O que se passa em janeiro, com a ausência de ligação marítima por via da manutenção anual do navio, mesmo que alguns lugares estejam assegurados, pelo operador, recorrendo ao transporte aéreo ao mesmo preço do navio, “não é admissível” na perspetiva de Menezes de Oliveira. “Claro que não concordo. A ausência do Lobo Marinho em janeiro deixa o Porto Santo isolado, prejudica o comércio, prejudica a liberdade de circulação das pessoas. Mas quem tem culpa disso é o Governo. E nenhum governo, seja de Jardim seja de Albuquerque, teve coragem para por ordem na casa. Engordaram muito o “pato” e é o que se vê”.

Lobo Marinho é importantíssimo

Apesar disso, por entre as críticas, o presidente da autarquia salvaguarda aqui a posição do Grupo Sousa no sentido global da prestação do serviço. “Faz o seu papel”. Diz que “o Lobo Marinho é importantíssimo para o Porto Santo, sem dúvida. Presta um serviço bom em todo o ano” mas também deixa claro que “em janeiro não pode ser como é”.