A Pobreza Não É Uma Fatalidade

1- Segundo os últimos dados divulgados pelo “Instituto Nacional de Estatística”  (INE), verificamos que o flagelo da pobreza atingiu 25,1% da população portuguesa.  Para fazermos uma melhor ideia da real dimensão deste dramático problema, mencionamos que este número representa  mais de dois milhões e seiscentas mil pessoas que, todos os dias, se vêm privados do direito de beneficiar de uma alimentação suficiente, de ter capacidade financeira para adquirir vestuário, medicamentos, saúde, e uma habitação digna, bem como de  desfrutar do básico direito à educação e à  cultura, para si e para os seus dependentes.

Ou seja, são milhões de portugueses, nomeadamente milhares de crianças, adolescentes, mulheres, idosos, doentes e sem abrigo, que se confrontam com a calamidade diária de se verem condenados a suportar uma vida de miséria, penúria e sem proteção.

E se estes números são já assustadores, se a eles juntarmos a taxa do “risco de pobreza” no nosso País, antes de qualquer transferência social, o número dispara para os 46,3%, ou seja para um preocupante valor próximo de metade da população nacional.

O agravamento desta situação resultante das nefastas políticas dos governos da direita, que a atual governação da “Geringonça” tem procurado atenuar, é de tal ordem, que hoje, 11% dos que têm trabalho vivem no limiar da  exclusão social e da pobreza, o que significa que empobrecem a trabalhar.

2- Para aqueles papagaios, alguns que até se dizem de esquerda, que apregoam que Cuba, a Venezuela, a Bolívia e o Equador, violam os diretos humanos, quando ali os problemas da pobreza estão praticamente resolvidos e já não atingem tamanhas proporções, lembramos que Portugal aprovou. em 10 de Dezembro de 1948, na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), a “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, onde nos artigos 23 e 25 desse diploma vem anunciado que “toda a pessoa tem o direito ao trabalho e a uma remuneração equitativa e satisfatória que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana (…) e tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família o direito a saúde e bem estar, principalmente quanto à alimentação, vestuário, alojamento, e assistência médica (…) bem como direito à segurança no desemprego, na invalidez, na velhice, ou noutro caso de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade”.

Como tal, face a estes princípios, é CLARAMENTE evidente que quem está sujeito a situações de pobreza, como acontece com mais de um quarto dos portugueses, está a ser vítima da violação daqueles direitos humanos, sendo certo que a pobreza tem as suas causas e é a consequência duma série de contingências que podem ser combatidas, mas que aquela gente e a generalidade dos seus órgãos de comunicação social dominante, geralmente, calam e consentem.

3- Constatamos até que, perante um drama desta dimensão humana e social,  a maioria daqueles papagaios e dos seus órgãos de comunicação social, insurgem-se contra quem recebe o rendimento mínimo de inserção, como sendo pessoas que “vivem à custa do erário público”, escondendo, porém, que esse subsídio é de apenas 187, 84 euros, e que se houver outra pessoa pobre no agregado familiar, apenas lhe cabe metade desse valor.

Para demonstrar a crueza dessa gente e da situação que se vive em Portugal, exemplificamos que se uma mulher pobre vive com um filho também carenciado a seu cargo, só recebem por mês 281, 86 euros, que não lhes garante, minimamente, satisfazer as suas  necessidades primárias de alimentação, vestuário, habitação e saúde, e os empurra para a miséria total.

Outros um pouco mais “generosos”, propõem medidas de assistência do tipo Cáritas, Cantinas Sociais e “Sopa do Cardoso”, para mitigar os efeitos da pobreza, mesmo sabendo que embora importantes para mınorar o drama e o sofrimento  dos carenciados, o assistencialismo além de promover a humilhação e a destruição da autoestima dos pobres, não combate as causas da pobreza, antes contribui para a sua perpetuação.

 

4- A pobreza não é uma fatalidade da condição humana e ninguém é pobre por opção. A pobreza tem causas radicadas na injusta repartição da riqueza produzida, e os responsáveis são os governantes, que ao serviço dos interesses dum punhado de grandes financeiros e capitalistas, levam à prática políticas que conduzem a essa injusta repartição do PIB. Por exemplo, os últimos dados do “Instituto Nacional de Estatística”, apontam que entre 2010 e 2015, por efeito das nocivas políticas da direita, os trabalhadores por conta de outrem que em 2016 rondavam os 3 787 200 , viram a parte do Produto Interno Bruto (PIB) que lhes tocava passar de 36,2% para 34,1% , enquanto os patrões que eram  apenas 219 500 viram subir o que arrecadavam de 41,3% para 43% do PIB.

De modo que, numa sociedade justa, solidária, de esquerda, e defensora dos Direitos Humanos, a pobreza combate-se com um conjunto de medidas e de politicas públicas centradas nas pessoas, que assegurem o crescimento e o desenvolvimento da economia virado para a criação do emprego, para uma justa repartição do rendimento através de melhores salários, reformas e pensões,  e beneficiando de serviços de saúde e de educação gratuitos e de qualidade, acompanhados pelo acesso a uma habitação digna e decente

O mesmo é dizer e assumir, que a pobreza e as suas causas apenas serão ultrapassadas, quando através da luta dos povos e dos trabalhadores se conseguir transformar esta injusta e desumana sociedade, rompendo e transformando, definitivamente, o injusto modelo económico e social em que vivemos.