
O Bloco de Esquerda vai para estas eleições, em Câmara de Lobos, com um discurso de acusação à hegemonia laranja e aos resultados que os sucessivos mandatos do PSD “não conseguiram para o desenvolvimento do concelho”. Paulo Alexandre Santos, o candidato bloquista, entende que já era tempo de haver mudanças “em termos de infraestruturas”, considera que “passados quarenta anos, ainda andamos a fazer estradas para a agricultura, a melhorar veredas, quando se tratam de melhoramentos que já deviam estar feitos há muito tempo”.
Recorda palavras do atual presidente Pedro Coelho, quando este diz que quatro anos é pouco para desenvolver todo o trabalho planificado para o concelho, para lembrar ao autarca que “anda um pouco esquecido sobre os outros 36 anos que o PSD esteve no poder. Não houve tempo para fazer o que devia ter sido feito?”.
Câmara não faz nada pelos mais novos
O candidato acusa a vereação atual de “nada fazer para apoiar a juventude”, diz que “é um contrasenso no concelho mais jovem da Madeira”. Aponta lacunas, primeiro ao nível dos mais novos, “sem a existência de atividades de tempos livres para ocupá-los enquanto os pais trabalham, fazendo com que seja possível ver, nas nossas ruas, crianças que andam por aí e que os pais não têm onde deixar. É preciso encontrar uma solução”. Depois, mais propriamente para os jovens, reivindica para o concelho “uma escola de formação”, havendo, em sua opinião, “espaços já existentes para esse efeito”. Considera “importante criar condições de formação para preparar os jovens tendo em vista o mercado de trabalho, evitando que em alternativa acabem por sair do concelho. Não é por acaso que temos uma elevada taxa de desemprego e uma elevada taxa de emigração, isto quer dizer alguma coisa sobre o que é preciso fazer e o que não tem sido feito”.
Estratégia integrada para o mercado de trabalho
O Bloco quer uma estratégia integrada para o mercado de trabalho. O objetivo é a “captação de empresas, com um melhor aproveitamento do parque empresarial que está neste momento deserto, dando vantagens para as estruturas empresariais que queiram instalar-se, podendo abrir-se boas perspetivas de criação de emprego”.
Paulo Alexandre Santos é natural de Câmara de Lobos mas viveu cinco anos em Machico. Não tem dúvidas: “Machico está muito à frente, em quase tudo”. É contra esse estado de coisas, essas diferenças em prejuízo de Câmara de Lobos, que o Bloco está empenhado em lutar. O candidato diz que se eleger um vereador “o povo de Câmara de Lobos terá uma pessoa que vai defender, de forma persistente, os seus interesses. Queremos ouvir a população, saber o que pensa no que toca ao que pode ser feito para o desenvolvimento do concelho”.
“PSD já não está tão forte como antigamente”

Num concelho com um eleitorado fiel ao PSD, a avaliar pelos resultados, os outros partidos ficam com pouco espaço de manobra para grandes estratégias que possam conduzir a uma mudança. O candidato do BE acha que “o concelho de Câmara de Lobos vive numa ilusão”, mas também diz que “há esperança”, que “tem havido um crescimento de todos os partidos e um decréscimo de votação no PSD, que já não está com aquela força de antigamente”. O objetivo do Bloco é claramente “retirar a maioria ao PSD, essencialmente porque não existem desculpas para dizer que precisa de tempo para fazer o que não fez em 40 anos, tanto no poder regional como no poder local”.
Candidato apela para mudança no eleitorado
Paulo Alexandre acredita no projeto de um “partido lutador”, vai buscar forças ao espírito de luta de pessoas como Guida Vieira, lembra a luta pelas bordadeiras, garante que as pessoas recebem bem os candidatos do Bloco de Esquerda, mas na hora do voto “nem sempre exprimem esse apoio efetivo”. Para protesto, sim, para voto, não. É este o cenário que o BE quer alterar, ainda não sabe como, mas vai para a estrada fazer campanha e esperar que o eleitorado tenha “um comportamento diferente”.
Ainda associam o PSD à IHM
A explicação do comportamento do eleitorado, relativamente ao domínio “laranja”, na opinião do candidato, está ligado a Alberto João Jardim, associando o nome do anterior líder ao desenvolvimento da Madeira. As pessoas não queriam saber de mais nada. Depois, tem os bairros sociais, onde ainda associam o PSD à Investimentos Habitacionais, à circunstância de dar casa. Ainda pensam que se for outro partido a ganhar, já não vão ter habitação. Além disso, o PSD ainda usa a estratégia do tachinho, não é como antes mas ainda é em parte”.
Reconhece que a imagem do concelho melhorou, a baixa “está bonita”, mas o social “foi descurado”. Em termos estruturais, “pouco foi feito”. É preciso “atacar” problemas de formação, de emprego e de pobreza, de toxicodependência.
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