Testemunha ocular garante ao FN que foi a queda do plátano que precipitou o desabar do carvalho no Monte

Ana Paula Trindade.

Ana Paula Trindade é uma testemunha privilegiada da tragédia de hoje no Monte, visto estar a cerca de 30 metros da queda da árvore, nas escadas do Largo da Fonte. Ao FN, fez questão de dar o seu testemunho para clarificar, de forma inequívoca, os acontecimentos de hoje: “O que partiu foi um galho de um plátano que precipitou depois a queda do carvalho e consequente tragédia”.

Revoltada com certas declarações oficiais, nomeadamente de que o carvalho não estava referenciado como árvore doente ou em perigo, a testemunha argumenta: “O plátano estava referenciado? É preciso saber”.

Foto Rui Marote.

Docente de História na Escola Secundária de Jaime Moniz há quase 30 anos, conhecida também pelo seu rigor e frontalidade, Ana Paula Trindade confessa que hoje sentiu “na pele o que é ser invadida pelo pânico de morrer. Na sequência da queda da árvore, confrontou-se com pessoas a querem subir e descer escadas abaixo, num alvoroço indescritível”.

Minutos antes do acidente, Ana Paula Trindade esteve com o marido no Largo da Fonte e depois subiu os degraus para se posicionar melhor no sentido de ver a procissão. Quem estava no Largo da Fonte não conseguiu ver o início do movimento da queda da árvore, mas quem se encontrava nas escadas assistiu ao desenrolar da tragédia. “Comecei por ver um galho do plátano a abanar. E disse em voz alta “a árvore vai cair”. Eis que o galho do plátano cai e arrasta o carvalho, tendo este embatido na população que se encontrava no Largo da Fonte. Eu tenho um carvalho na minha casa e sei distinguir muito bem um plátano de um carvalho”.

Foto Rui Marote.

Após a queda do carvalho e consequente desespero, Ana Paula Trindade adianta ainda que viu ainda um resto de plátano a abanar, pensando que seria colhida mortalmente. Eis que, por entre o pânico geral, conseguiu escapar e é com profunda comoção que diz ter sido poupada à tragédia.

Neste momento, não consegue disfarçar a sua revolta pela forma como a Câmara Municipal do Funchal lida com o assunto, driblando a situação com espécies referenciadas ou não. Por exemplo, o presidente Paulo Cafôfo declarou nunca ter recebido nenhuma reclamação para um carvalho em perigo. Paula Trindade volta a questionar: “Alguma vez, os plátanos estiveram referenciados? É que o plátano é que originou a tragédia”. Acrescenta ainda que a reportagem divulgada pelo FN, em março deste ano, dava conta da queda de galho de plátano e não de um carvalho. Um prenúncio já de uma tragédia maior.

No momento do acidente, é bem possível que, pelo chão do Largo da Fonte, tenham caído galhos do carvalho e do plátano, apesar de os bombeiros terem estado no terreno a fazer limpezas de imediato, quando o espaço deveria ser totalmente isolado para perícias judiciais.

Para a nossa interlocutora, já ninguém consegue resgatar a vida de 13 pessoas, o lado mais lamentável e chocante deste drama. Mas, “a bem da verdade e do rigor”, deixa o seu testemunho e afirma que está disposta a testemunhar em sede de justiça para clarificar os factos.

 


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