Pedro Coelho apresenta Câmara de Lobos como um concelho “diferente e melhor” do que há quatro anos

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Pedro Coelho diz que, passadas as grandes obras, é importante reforçar o investimento nas pessoas. Foto Rui Marote

Câmara de Lobos sempre foi um dos “bastiões” do PSD-Madeira, com vitórias sucessivas e um caudal de conforto que, no contexto da Região e em matéria de autárquicas, faz com que a liderança regional do partido agarre o concelho, como diz o povo, “com as duas mãos”. Não é para menos, sobretudo depois da convulsão ocorrida em 2013, que apenas permitiu que a estrutura social democrata mantivesse a sua governação em quatro câmaras. O resto foi o que se viu.

Uma das autarquias que manteve a hegemonia do PSD, ainda que perdendo dimensão, foi precisamente Câmara de Lobos, com Pedro Coelho à cabeça. É mesmo ali que estão depositadas grandes esperanças quanto a um bom resultado nas eleições de 1 de outubro, num quadro que deixa algumas interrogações sobre a prestação “laranja” em determinados concelhos, nesta próxima consulta popular.

Entre mudanças e publicidade de imagem

Estamos no domínio das leituras políticas, avaliadas por sensibilidades e por opiniões. O voto, esse sim, será o verdadeiro momento da decisão e aquele que, fielmente, irá interpretar a vontade do eleitorado. Na generalidade, a oposição reconhece que o concelho sofreu algumas mudanças e que já não é o mesmo que, em si próprio, encerrava algum estigma fundamentado por uma realidade que, entretanto, tem sido progressivamente esbatida. A mesma oposição, que no oposto, claro está pela negativa, também diz que o concelho vive da publicidade e que há muito para fazer. É a dialética política a funcionar.

A “caixa forte” do PSD-Madeira

Pedro Coelho, o presidente em exercício e recandidato social democrata, tem nas mãos uma “caixa forte” do PSD. E pretende guardá-la, enquanto puder, como puder. Lembra que, em democracia, “é subjetivo falar em situação confortável”, mas sempre vai sublinhando que, há quatro anos, quando iniciou este projeto na autarquia de Câmara de Lobos, fê-lo “com um propósito claro e bem definido, com uma visão estratégica para o concelho, que está virado para o mar e para a agricultura. Tinhamos essa consciência, perfeita noção dos problemas, mas também a certeza de que existiam muitas potencialidades. Fizemos o diagnóstico, a todos os níveis, e desenvolvemos um plano para quatro anos, ouvindo as pessoas”.

Novo projetos turísticos são para avançar

O autarca lembra que essa planificação estratégica para o concelho, estabeleceu cinco vetores de desenvolvimento.” Primeiro as pessoas, temos 35 mil habitantes e somos o concelho mais jovem da Região”. Depois, o mar, seguindo-se a agricultura, o turismo e a economia local. “Foi com esta base que conseguimos, ao longo deste mandato, criar condições ao investimento, nomeadamente de âmbito turístico, como sejam os projetos que deram entrada na Câmara e estão disponíveis para avançar”. Aponta para três novas unidades hoteleiras, uma na Lota, outra no edifício Torre Bela, outra ainda no Miradouro do Espírito Santo. Fala, também, da requalificação do Ilhéu, da recuperação do varadouro, da existência de empresas de animação marítima, além de algumas lojas de artigos regionais, que “antes não existiam e que neste momento fazem o seu negócio fruto de um aumento de turismo no concelho, além de haver mais estabelecimentos de restauração.”. Conclui, por isso e pelos dados que dispõe, que houve um maior desenvolvimento económico no concelho, muito por força da subida do “caudal” turístico. “A base de trabalho deu resultado e a estratégia que delineamos está a dar os seus frutos”.

Dívida reduzida a metade, IRS devolvido e IMI a baixar

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Reduziu a dívida a metade, já devolveu 20 por cento do IRS às famílias, o IMI está mais baixo. Foto Rui Marote

A sensivelmente mês e meio das eleições, o candidato tem indicadores que lhe permitem fazer uma avaliação positiva, no tocante às Finanças. Por um lado, como diz, reduziu a dívida a metade, já devolveu 20 por cento do IRS às famílias, o IMI está mais baixo. Por outro, fez investimento com “repavimentação de estradas, descentralização de competências nas juntas”. Não tem dúvidas quando afirma, com a segurança que os indicadores dão e a sensibilidade que lhe permite ter, que “Câmara de Lobos está com uma imagem mais limpa, a população gosta do que está feito, está satisfeita, gosta da proximidade que resolve o problema das pessoas, não a proximidade dos abraços, mas aquela que se dirige diretamente às questões relevantes, estruturantes”.

Muralha da ribeira do Vigário e um parque desportivo

O investimento foi feito à conta, essencialmente, dos fundos comunitários. O autarca candidato diz que “Câmara de Lobos potenciou esses apoios, além das verbas resultantes da Lei de Meios, como por exemplo a muralha da Ribeira do Vigário, onde foram salvaguardados aspetos de segurança, mas também onde será criado um parque desportivo, com zona verde. Reduzimos dívida, saímos do PAEL, conseguimos taxas mais atrativas e investimos. Com exceção do Funchal, somos a Câmara com mais investimento da Região, cerca de 7 milhões euros, enquanto concelhos com a nossa dimensão investiram metade”.

Câmara de Lobos cidade da aprendizagem 2017

Este cenário de mudança, que segundo Pedro Coelho permite um concelho “mais agradável”, não constitui avaliação apenas pelas palavras. Antes, era visto com um certo estigma, lembra, acrescentando logo de seguida que, agora, “Câmara de Lobos é um concelho conhecido internacionalmente. E a prova disso é que, no final de setembro, vamos a Cork, na Irlanda, receber, entre 15 cidades mundiais, um galardão, atribuído pela UNESCO, como “Câmara de Lobos-cidade da aprendizagem 2017”.

Taxas de analfabetismo e abandono escolar abaixo da Região

O tempo das grandes obras já lá vai. Pedro Coelho diz que, agora, “Câmara de Lobos vai investir ainda mais nas pessoas. Temos taxas de analfabetismo e de insucesso escolar inferiores à média regional, queremos apostar na Educação, temos um seminário anual, enviamos os nossos melhores alunos para a Universidade Júnior do Porto e para a Universidade de Coimbra, no âmbito da universidade de verão, além de que já abrimos candidaturas para atribuição de bolsas a estudantes universitários, no total de 100 mil euros/ano, sendo que cada aluno recebe 150 euros por mês”.

Concelho amigo do investimento e projetos analisados de forma célere

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O concelho de Câmara de Lobos tem, segundo Pedro Coelho, “taxas de analfabetismo e de insucesso escolar inferiores à média regional”. Foto Rui Marote

O autarca social democrata afirma querer elevar ainda mais o município no futuro com ajuda das pessoas, diz que “são elas que fazem o concelho, são elas que promovem o crescimento”. Não nega trabalho a fazer, sobretudo porque ainda não conseguiu erradicar as bolsas de pobreza que reconhece existiram. Afirma que “em todo o lado há pobreza, até em Nova Iorque, onde há gente que dorme na rua. Temos procurado resolver alguns problemas nesse âmbito, outros focos ainda subsistem porque são de solução mais difícil, mas o que lhe posso garantir é que Câmara de Lobos está melhor do que estava há quatro anos. Claro que as situações que me fala só se resolvem com emprego e este só se cria com desenvolvimento económico. É isso que temos andado a fazer, temos um concelho amigo do investimento e os projetos são analisados de forma célere”.

Temos um plano a longo prazo

Olhando para o futuro, o candidato social democrata diz que essa visão não está condicionada com o período eleitoral. Para que fique claro aos que eventualmente possam dizer que a Câmara só mostra trabalho em fase de eleições. “Vamos continuar com os vetores que foram estabelecidos há quatro anos, não se alteram nem em função de partidos nem de eleições. É um plano a longo prazo. Este mandato incidiu na solução de problemas que afetavam as pessoas, como por exemplo os acessos, a casas ou a espaços agrícolas, somos a Câmara da Região que mais candidaturas apresentou em termos de caminhos agrícolas, em função da necessidade nesse âmbito, não só tendo em vista os terrenos mas também a acessibilidade de pessoas idosas”.

Investimento nos centros e maior atratividade

Aponta ao próximo mandato, onde, como refere, “se tivermos a confiança do eleitorado, será também vocacionado para projetos estruturantes nos centros da freguesia de Câmara de Lobos (fizemos pré-candidatura ao IDE), no Jardim da Serra, onde comprámos 22 mil metros de terreno à família do Dr. Alberto Araújo, tudo com o objetivo de melhorar os espaços públicos, criando uma realidade mais atrativa e moderna, incluindo aquilo que já temos hoje, que é internet gratuita em toda a baixa, situação que vai permitir fazer uma avaliação mais concreta sobre o número de turistas que nos visitam, a nacionalidade e o período do dia em que cá estão”.

Não existiam défice democrático, medo e repressão

A par da componente de gestão autárquica, já abordando a questão do ponto de vista da recandidatura pelas listas do PSD, temos que Câmara de Lobos surge como um concelho de forte implantação social democrata, que o partido quer manter depois de uma fase de tensão, que a nível autárquico culminou com uma derrota muito acentuada. O PSD está unido em Câmara de Lobos? Pedro Coelho lembra que “a 29 de outubro de 2013 de manhã tínhamos onze câmaras e às sete da tarde tinhamos só quatro. O que também veio provar que aquilo que se falava do défice democrático, do medo e da repressão, não era o que se dizia. As pessoas sempre votaram conscientes e em 2013 decidiram-se por um voto diferente, pela mudança em alguns concelhos”.

PSD unido em Câmara de Lobos

Considera que a eleição autárquica tem especificidades, sublinha que se trata de uma votação “mais nas pessoas do que em partidos e isso vê-se quando há resultados diferentes para a Câmara e para as juntas”. Considera “um processo normal em democracia”, garante que “aqui em Câmara de Lobos o PSD tem trabalhado de forma unida, fizemos uma grande apresentação da candidatura, com muita gente e estamos imbuídos de um espírito muito forte e apontado ao desenvolvimento desta terra”.