“O Governo Regional deixou Santana para trás, são poucos votos e não interessa muito”

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David Monteiro, candidato da CDU: “O Povo de Santana é educado, civilizado e cala-se com o pouco que lhe dão, não tem muita cultura de reivindicação e há um abuso”.

David Monteiro, professor, pintor, escultor, natural de Chaves mas vivendo em Santana há seis anos, depois de quatro anos de Caniçal e seis de Porto Santo, aparece junto do eleitorado do concelho como sendo da “casa”. Pelo menos é assim que se sente e é com esse espírito que vai enquadrar as pessoas no seu projeto, candidatando-se à Câmara Municipal local pelas listas da CDU. Põe de lado os eventuais estigmas que porventura ainda possam subsistir relativamente aos comunistas. Nos meios mais conservadores, é assim habitualmente. Não está preocupado, antes pelo contrário, gere bem essa situação. Por militância e por conhecimento da realidade que o envolve.

A pessoa além dos partidos

Sabe que a população de Santana “olha muito à pessoa, mais do que a partidos, sobretudo nas eleições autárquicas, onde esse comportamento do eleitorado é mais notório”. Está consciente neste posicionamento do povo “que vê muito na perspetiva daquilo que podemos fazer pelo concelho”. Acaba por estar ligado ao povo em diversas vertentes. É docente do Ensino Básico, também professor de Artes, está sempre presente em festividades, no Carnaval, no folclore, no fundo em muitas dimensões que dinamizam o concelho e as pessoas. Deixa marcas na Casa da Cultura com uma ou duas exposições por ano.

Professor com “agricultura de fim de tarde”

Esta versatilidade garante-lhe um cunho diferente entre candidatos, inclusive da CDU. Sereno no discurso, apostado em trazer para o voto o capital que já tem, no dia a dia, junto da população. Sente-se “um homem do povo” e nem deixa passar uma percentagem do seu tempo para a agricultura. Como diz, “uma agricultura de fim de tarde”. Mas suficiente para entrar e reforçar esta ligação que o povo de Santana tem à terra, quer seja em produção que vise ser comercializada, quer seja aquela de subsistência ou mesmo de passatempo consumindo produtos locais. É o caso de David Monteiro.

Independentemente do partido, estão as pessoas. Mas defende a ligação partidária como suporte importante para dar corpo às políticas. Lembra, acima de tudo a quem eventualmente não esteja a ver, que “a CDU sempre esteve nos sítios a reivindicar políticas que têm a ver com as necessidades das pessoas. Quando precisam, lá está a CDU e não os partidos chamados grandes. Esses grandes foram comendo e fazendo alguma coisa, mas também com dinheiro todos fazem. Nós, CDU, com nada já fizemos muito”.

Núcleo da CDU em Santana para todo o ano

O resultado não é a prioridade do candidato. Claro que não há quem entre numa disputa para perder, entra para ganhar ou, no mínimo, eleger um vereador. Isso já seria ganhar para a CDU, convenhamos. David Monteiro diz, sem tibiezas, que “seja qual for o resultado a 1 de outubro, farei tudo para criar um núcleo CDU no concelho de Santana, mantendo todo o ano esta postura que neste momento estamos a desenvolver em fase eleitoral. Temos que alertar para os problemas, estabelecer ligações, dizer a quem tem a responsabilidade de resolver para que faça o que falta fazer”.

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O atual presidente da Câmara, segundo o candidato da CDU, “falhou na capacidade de reivindicação”.

Sobre a gestão de Teófilo Cunha, que há quatro anos retirou a Câmara ao PSD, tem uma opinião não totalmente positiva mas também não totalmente negativa. “Não posso dizer que a atual Câmara está a trabalhar mal, mas posso dizer que o potencial de Santana é muito superior e poderia ter sido feito muito mais. Santana tem sido gerida como se fosse Funchal ou Machico. Mas é um concelho diferente, é o segundo maior em área geográfica, temos uma população bastante distribuída pelo concelho, em algumas situações muito isoladas. E continuamos a pensar Santana como se fosse apenas o centro, mas o resto também faz parte do concelho”.

É preciso ter capacidade reivindicativa

O candidato da CDU aponta uma área importante para servir a população no domínio das acessibilidades. Os transportes “são decisivos”, mas também diz que esta área não pode ser vista com o mesmo padrão de avaliação relativo a outros concelhos. “Defendo a existência de carrinhas, com menos lugares, mas com um serviço mais exequível atendendo à dimensão do pretendido, mas que possibilitaria o transporte de idosos, dos seus núcleos habitacionais, onde hoje não passam autocarros, até Santana e respetivo regresso a casa. As entidades devem ter em conta toda a população. E é preciso ter a capacidade reivindicativa de ir junto do Governo Regional e dizer que um cidadão que vive numa zona mais isolada não deixa de ser madeirense e deve ter uma atenção enquanto tal, com os mesmos direitos dos outros ”.

Governo Regional deixou Santana para trás

Mais do que criticar o mandato autárquico do CDS/PP, David Monteiro aponta “baterias” ao Governo Regional. Não tem dúvidas: “Deixou Santana para trás. São poucos votos, não interessa muito e a aposta vai mais para os concelhos do sul. Não temos uma urgência 24 horas quando a realidade exigia uma situação diferente. Temos pessoas que fazem mais de 20 quilómetros desde o Arco de São Jorge por uma estrada em péssimo estado, além de que, sem urgência, têm que fazer mais 20 até Machico. Numa população idosa, esta situação pode fazer toda a diferença. E felizmente que o serviço de bombeiros, que é excelente, tantas vezes faz esse percurso parecer mais curto”.

Povo de Santana é educado e cala-se com pouco

Não ficam por aqui as acusações ao Executivo Madeirense. Para recordar que “a via expresso já existe em toda a ilha menos em Santana”. Mas “esquecem-se que este concelho”, acrescenta, “distribui produtos frescos para todas as superfícies comerciais da Região”. Não aceita, mas sabe que as razões que estarão subjacentes a este comportamento do Governo “têm a ver com o povo. O Povo de Santana é educado, civilizado e cala-se com o pouco que lhe dão, não tem muita cultura de reivindicação e há um abuso dando pouca coisa. Agora, que estamos enfiados cá para trás, lá isso estamos”.

Afirma compreender que algumas obras sejam consideradas prioritárias, mas exige que o Governo traga para Santana pelo menos o mesmo grau de investimento que tem acontecido noutros concelhos. Reivindicar é a palavra de ordem, uma palavra muito “imagem de marca” da CDU, mas que na opinião do candidato “deve ser feita por todos”. É isso que, na sua perspetiva, esta Câmara “não fez”. A atual liderança de Teófilo Cunha “falhou nesse aspeto, é muito passiva, não reivindica”. E por isso, o candidato da CDU defende uma maior intervenção da Câmara, “na pressão a exercer sobre o Governo para conhecer os projetos em pormenor e não deixar que os mesmos sejam feitos no concelho apenas decididos por pessoas que estão nos gabinetes e não conhecem o terreno”.

O turismo não conhece o concelhos

Como outra nota negativa aponta a falta de estratégia para o turismo, considerando que o concelho tem potencial “mas não sabe como manter os turistas aqui. Chegam e passam rapidamente. O turismo faz de Santana uma espécie de parque temático, os turistas chegam, observam as casinhas e vão embora, talvez deixam o dinheiro de um café, de uma refeição, mas a maior parte nem isso. E além do mais, o turismo vem a Santana mas não vê o concelho, que é riquíssimo na natureza, com particular destaque para as levadas”.

Aponta a degradação das casas na Achada do Teixeira, que assim como estão constituem “uma péssima imagem para o turismo”, além de referir a existência de guardas florestais, “que se encontravam numa casa mais acima, mas que foram já para a reforma e ainda não houve substituição. São situações que deveriam ser resolvidas, cada uma no seu âmbito de ação”.

Não estamos preocupados em manter poleiros”

A campanha da CDU, em Santana, será feita com poucos recursos financeiros, privilegiando o porta a porta e o contacto direto com as populações. David Monteiro afirma que a CDU “tem uma equipa excelente e se elegermos um ou mais vereadores, estaremos ali para defender o povo, com justiça social e económica, sempre reivindicativos. Nunca estivemos no poder, não estamos preocupados em manter poleiros como vemos noutros partidos. Queremos estar ao lado do povo”.


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