Crónica Urbana: Bolsa de camas… quem paga?

Rui Marote

Desculpem, pois não quero ofender ninguém. Mas tenho direito à minha opinião face a tantas declarações arrojadas. Ontem foi um dia fértil em ideias, por causa da situação dos retidos no aeroporto do Funchal e dos voos divergidos para o Porto Santoi. Ferry para o Caniçal, a criação de uma “Bolsa de Camas”… Ideias loucas que parecem estar por todo o lado. De repente tropeça-se numa delas e acha-se a solução.
Comecemos pelo ferry para o Caniçal. O que beneficiaremos? Menos 45 minutos de viagem… e depois há que fazer conta aos transfers Aeroporto CR7 – Caniçal, Porto de Abrigo – Aeroporto do Porto Santo. Regresso idêntico. Não esquecendo Funchal – Aeroporto CR7.
Custo destas operações?

Fazer do Lobo Marinho ponte marítima e ter tripulação disponível? O armador tem de fazer contas… As companhias aéreas  tem uma palavra a dizer… Nada fácil. E os passageiros que viajam com seguros com os destinos assinalados?
Decisão de gabinetes com ar condicionado. De quem pensa: “É tão bom ser eu! Pensar por mim, decidir assim…” Mas não acredito naquele que opina sem experiência vivida.

Bolsa de camas… Todas as grandes ideias são perigosas. Quem tem o factor patacão para desembolsar… Por vezes, há que pensar assim: as ideias são sementes e o maior favor que se pode fazer a uma semente é enterrá-la.

Ainda não resolvemos o concurso do ferry para o continente e já estamos a lançar lenha para a fogueira. Podemos ter muitas ideias e até muito dinheiro para pô-las em prática. Mas o que nunca conseguiremos é mudar os ventos e moderar a velocidade dos mesmos. O homem não tem esses poderes, que só a Deus pertencem.