Candidato da CDU diz que Machico tem “uma Câmara de cadeiras” e pede aos vereadores para não terem medo de falar com as pessoas

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“Machico precisa de um concelho de alto a baixo, não um concelho que sirva só os padrinhos e os afilhados”, defende Pedro Carvalho, candidato da CDU. Foto Rui Marote

“Machico não passa disto: ora está o PSD na governação autárquica, ora está o PS. E os munícipes é que perdem com isso”. É com este quadro, apresentado desta forma, que o candidato da Coligação Democrática Unitária à Câmara Municipal pretende alertar os eleitores para uma realidade que “não tem dado bons resultados”.

Pedro Carvalho lembra que “quando as pessoas têm problemas, reconhecem na CDU um apoio para ajudar a resolver resolvê-los, para fazer denúncias. Chegou a altura de reconhecerem à CDU capacidade para estar representada na Câmara”. Assim, sem rodeios, apresenta a linha geral de campanha para pedir um voto útil à população. Acha que “está na hora, Machico precisa e a CDU merece”. Diz que Machico “tem uma Câmara de cadeiras” e pede aos vereadores para não terem medo de falar com as pessoas. “Levantem-se e saiam”.

Sair da centralidade crónica nos dois partidos

Pedro Carvalho diz que “Machico precisa de um concelho de alto a baixo, não um concelho que sirva só os padrinhos e os afilhados. É importante que existam ligações às freguesias, ao Governo Regional, sair daquela centralidade crónica nos dois partidos que têm governado a Câmara. No fundo, não há diferença entre PS e PSD, comportam-se igual quando chegam ao poder. Até podem ouvir as pessoas, mas não resolvem nada e põem os documentos no caixote do lixo”. Situação que, como promete, “com a CDU não vai acontecer”.

Acesso à via expresso e água potável no Porto da Cruz

Aponta a eficácia do partido no concelho, mesmo sem ter vereador, diz que “ainda há muitas carências inexplicáveis em pleno século XXI” e “muitas daquelas que se resolveram tiveram o acompanhamento e o empenho da CDU, as pessoas sabem disso”. Indica o acesso à via expresso na zona do Porto da Cruz “uma grande luta”, o “acesso à água potável, também no Porto da Cruz. As pessoas estavam a ser roubadas na água do túnel do norte e perderam as suas nascentes, a água estava a ser desviada para toda a ilha menos para o Porto da Cruz. Fizemos o que foi possível fazer, envolvendo o Parlamento Europeu, com a vinda de um canal de televisão, fazendo chegar às instâncias europeias aquele problema das populações. E não temos deputados eleitos pela Madeira, os partidos que têm representantes nada fizeram”.

Pagam 30 a 40 euros por mês e só sai ar das torneiras

Pedro Carvalho não tem dúvidas que a forma de trabalhar da CDU é diferente de todos os outros partidos. “ A CDU é um todo, enquanto temos o PSD Funchal, o PSD de Machico, muita divisão. Ao contrário, a nossa união funciona a favor das populações”. Denuncia a existência, nos tempos de hoje, de núcleos populacionais sem água mas que pagam pos mês 30 a 40 euros pelo serviço. Vão à junta, esta empurra para a Câmara. Vão à Câmara, esta empurra para a frente. E as pessoas abrem as torneiras e só sai ar. Até parece que foram as pessoas que privatizaram as águas, como se a Câmara não tivesse que zelar pelos interesses dos munícipes, exigindo uma resposta rápida. Sou contra aquele negócio de privatização das águas, que prejudicou as populações. Para reparar é a Câmara, com dinheiro dos contribuintes. Para ter lucro, é a empresa”.

Grave problema de saúde pública no conjunto habitacional da Achada

Enumera problemas que estão identificados, entre eles foca-se num que considera mais importante, vai acusando a autarquia de “inércia” nas soluções. “Há um grave problema de saúde pública no conjunto habitacional da Achada, já foi feita queixa na Provedoria de Justiça e a Câmara já deveria ter resolvido este problema de saneamento básico. O esgoto está a sair junto da praia da Lagoa e ninguém diz nada. Já denunciámos com diversas iniciativas, mas a comunicação social nem apareceu, parece até que há uma cumplicidade. Mas vamos insistir”.

Discriminação na recolha de lixo

Regressa o discurso ao Porto da Cruz para fazer nova denúncia: “Há gente discriminada na recolha de lixo. Idosos que colocam o seu saco de lixo à porta, mas os serviços não recolhem alegando que deveriam ser colocados nos ecopontos, a alguma distância. Há pessoas com certa idade que mal podem andar. Há uma falta de sensibilidade. E outra coisa que acontece e que tenho provas é que há uma certa elite dos centros das freguesias que têm recolha do lixo à porta. Para uns é de uma forma, para outros é de outra. As juntas sabem disso, mas parece que têm medo da ARM”.

Câmara limpou mato na Bemposta em 2016 e agora “está igual”

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“Quando as pessoas têm problemas, reconhecem na CDU um apoio para ajudar a resolver resolvê-los, para fazer denúncias. Chegou a altura de reconhecerem à CDU capacidade para estar representada na Câmara”. Foto Rui Marote

A CDU está virada, como “imagem de marca” da sua atuação, para a vertente social. Desemprego, habitação social, apoios às famílias são assuntos de eleição. Lembra que, “por intervenção da CDU, a Câmara fez uma limpeza, no ano passado, no Bairro da Bemposta, que tinha mato quase da altura dos apartamento. Se for lá, está igual ao que estava”. Com outro problema à mistura: “já denunciámos na Câmara o perigo de terem lacrado as bocas de incêndio, de terem fechado a água que faz arrefecimento do tanque de gás. É um crime o que estão a fazer. Onde está a Câmara?”, deixa a questão.

Acabar com alternância entre os mesmos

É por estas e por outras que quer votos suficientes para eleger pelo menos um vereador. Está consciente que as pessoas dizem que a CDU aparece mas não é a CDU que faz as obras. “É verdade. Mas se calhar, se têm dado mais poder à CDU, as coisas não estavam assim”, responde. E reforça: “É preciso acabar com estas alternâncias entre mesmos”.

Militante partidário, dirigente sindical, natural do Porto da Cruz, com larga experiência de luta, reúne em si a liderança de uma equipa que pode dar resposta no combate político necessário e que está na génese da CDU. É pelo menos esta a ideia que transmite quando fala das autárquicas de 1 de outubro, onde a bipolarização PS/PSD pode acabar com os pequenos partidos.

Há trilhos que nem são falados e deveriam ser alvo de recuperação

Conhece o concelho como poucos, duvida mesmo que quem está à frente dos destinos da Câmara conheça o concelho todo, sabe de trilhos que nem são falados e que era bom que fossem limpos e abertos com segurança, “juntando aos que já existem e que são potenciadores de um nicho de mercado turístico, setor em que Machico tem potencialidades”. O turismo dá emprego, logo é de grande importância. Há anos, lembra, “Machico perdeu o grande polo de emprego que era a Matur, que hoje está completamente ao abandono”.