Candidato do PSD diz que “Machico perdeu quatro anos e a prova que correu mal é que o presidente da Câmara mudou meia equipa”

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“Vou começar a trabalhar a 2 de outubro, não vou esperar três anos”, afirma Ricardo Sousa numa crítica à atual gestão camarária de Ricardo Franco. Foto Rui Marote

“Machico perdeu quatro anos”. Foi assim, com este desassombro, que Ricardo Sousa, candidato do PSD, lançou uma “farpa” à liderança de Ricardo Franco, um socialista que em 2013 conseguiu destronar a gestão social democrata nos destinos do município. O povo trocou o PSD pelo PS e tornou a missão “laranja” muito mais difícil, agora na oposição. Voltar ao poder é o objetivo. “Ganhar mais propriamente”, emenda o candidato social democrata. Entendendo ganhar como uma forma de chegar ao poder e não o poder pelo poder. Voltar a ter a confiança do eleitorado é mais importante que chegar ao poder. Mas se a confiança for correspondida em votos, tanto melhor.

Mudar meia equipa prova que não correu bem

Ricardo Sousa diz que nem precisa de grandes avaliações. Afirma que é o próprio presidente da Câmara, ao mudar meia equipa, a reconhecer, com isso, que o mandato não correu nada bem. “Fala muito da dívida, que já pagou grande parte, mas quem é que acredita que se pague uma dívida, que disse ser colossal, em quatro anos? É que a dívida que o PSD deixou, depois de tantas obras feitas, não era assim tão elevada. O concelho, nas mãos do PSD, estava no bom caminho e é esse bom caminho que queremos retomar, fazendo com que a população acredite que é possível executar mais”.

Um mandato falhado, eleitores estão saturados

A síntese é fácil de fazer, como diz: “Um mandato falhado e o que foi feito foi pelo PSD. Queremos voltar a esse tempo para podermos fazer crescer Machico e colocá-lo na rota do desenvolvimento”.

O candidato social democrata, que já foi presidente da junta, tem praticamente a certeza que “os eleitores estão saturados e essa saturação é cada vez mais latente, vê-se em pequenos detalhes. E apercebi-me disso, mais concretamente, depois de ir para o terreno ouvir as pessoas. A população não está satisfeita, quer mais”.

Projeta já uma meta para chegar à cadeira de presidente. Enquanto não chega, pelo caminho, tem uma estratégia de ver o concelho para o futuro “sem lamentos pelo passado”. É assim que promete estar perante o eleitorado, desenvolvendo os contactos, conhece as pessoas e as pessoas conhecem-no. Um fator determinante para, em seu entender, chegar aos objetivos a que se propôs. Promete descentralizar o poder, delegar funções nas juntas e reforçar apoios às freguesias, associações e clubes.

Vamos apostar na juventude”

Abordando a situação do ponto de vista dos erros de governação autárquica, Ricardo Sousa diz que, para isso, para elencar o que não foi feito, “quase que pode ler o meu programa”. Com isto, quer dizer, que pouco foi feito, claro está, uma indireta ou mesmo direta à gestão socialista atual. Dá um exemplo na Educação: “Repare, propusemos que os manuais escolares de todo o primeiro ciclo fossem gratuitos, a Câmara aprovou por unanimidade e nunca aplicou a medida. Nós vamos apresentar propostas e cumprir. Vamos apostar na juventude, fazer com que os jovens fiquem cá dentro, incentivando a natalidade, com aquisição de produtos no comércio local, sendo esta uma forma de mexer com a economia”.

Vou começar a trabalhar a 2 de outubro, não vou esperar três anos”

Já entramos na parte das propostas. E ainda na Educação, fala das bolsas de estudo para estudantes universitários. E questiona “porque razão elas apenas foram criadas este ano, ano de eleições”. Reage com uma promessa: “Vou começar a trabalhar a 2 de outubro, não vou esperar três anos”. E quanto às bolsas, diz que vai manter e aumentar montantes. E mais: “Há alunos que recebem bolsas do Governo e de outras instituições e por isso perdem algumas delas. Vamos tentar que as pessoas sejam ajudadas sem esse condicionalismo, pelo menos em casos onde a junção de bolsas ajuda a resolver problemas maiores, sobretudo se estivermos a falar de bolsas de 100 euros, que é manifestamente pouco para quem tem carências. Vamos tentar resolver isso”.

Estágios de emprego e pressão no governo para recuperar escolas degradadas

Da universidade para o emprego é um passo. Para poucos, um passo curto, para muitos um passo longo. Por isso, Ricardo Sousa tem a ideia de colocar em prática uma estratégia, que por exemplo está a ser seguida na Câmara do Funchal, de criar estágios em empresas do concelho, ou até mesmo instituições, para os jovens recém licenciados, com a possibilidade de poderem ficar a trabalhar”.

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Ricardo Sousa garante que o PSD de Machico “está pacificado” e diz estar “de corpo e alma” nesta candidatura. Foto Rui Marote

A Educação é um setor nevrálgico para qualquer concelho e Machico não é exceção. Fala da pressão que deve ser feita sobre o Governo Regional no sentido de “atender ao estado de degradação em que se encontram as escolas primárias do Caniçal e Água de Pena e resolver o problema da Biblioteca “que está muito parada”, sendo estas duas realidades em que o candidato quer “meter mãos à obra”. Criar um Conselho Municipal de Educação e Cultura, um Gabinete de Educação para o Empreendedorismo e Cidadania” e uma Comissão para os 600 anos da descoberta de Machico, também está nos horizontes, medidas enquadradas neste “pacote” que tem na sua esfera de ação, diz ter um autêntico “programa de governo” para a Câmara de Machico.

Combate à desigualdade e pobreza, apoio a idosos

O candidato do Partido Social Democrata tem uma perspetiva da área social assente no combate à desigualdade e à pobreza. “Apesar de alguma coisa ter sido feita, é preciso mais”. Os idosos estão num horizonte de preocupações, no isolamento e na prestação de cuidados. Os emigrantes, numa nova condição de migrantes, constituem um problema novo “mas que é preciso olhar de frente para resolver as situações que começam a chegar. Temos que estar preparados para o regresso de muita gente à Madeira, criando algumas condições, nomeadamente garantindo o direito à habitação”.

Via verde” de incentivos à construção da primeira habitação

É no domínio habitacional que revela um indicador resultante de uma reunião que manteve, recentemente com a Investimentos Habitacionais da Madeira. “Há muitos jovens que estão a sair da Madeira por dificuldades em adquirir a sua primeira habitação. E neste aspeto, penso que é importante criar para os jovens uma via verde de taxas de construção da primeira casa”.

O desemprego é “dor de cabeça” global, diferenciando apenas na gravidade de concelho para concelho. Machico debate-se com esse flagelo, mas Ricardo Sousa quer procurar inverter o quadro hoje visível através da criação de programas de emprego e de empreendedorismo, dando voz aos jovens através de um conselho de juventude”.

Marca “Machico Ativo” e presença promocional em feiras

Para que o emprego possa ser dinamizado, o Turismo assume-se como a via mais perto de chegar lá com esse objetivo, uma vez que o concelho tem potencialidades nesse setor e o investimento privado é elemento preponderante para que Machico venha a beneficiar daquele “empurrão” para o desenvolvimento. Defende uma promoção “mais agressiva”, entende que Machico “deve estar presente em algumas feiras para promover o destino. Às vezes, as pessoas dizem que vêm à Madeira para ver o Curral das Freitas, as casinhas de Santana. E Machico? Onde se enquadra? É preciso dinamizar para fazer com que Machico seja conhecido e tenha pessoas que o queiram visitar. Temos que criar uma marca diferenciadora “Machico Ativo”, por forma a cativar o turismo. Temos que criar roteiros pelo património, pelo Ambiente, penso estudar a possibilidade de termos um Museu de Ciência Viva, aproveitando o conhecimento que hoje se produz no Museu da Baleia, no Caniçal. Tudo isto para aproveitamento turístico, além da mais valia local e regional”.

Apostar nas praias e alargar período balnear

Na parte que tem a ver com mar, a zona litoral é área privilegiada do concelho. A praia de areia, de um lado, complementada com a de calhau, no outro, constituem ofertas que representam importante contributo para Machico de hoje. É por isso que Ricardo Sousa tem um objetivo, relativamente à praias: alargar o período de época balnear. “Temos sol, excelentes condições, porque não procurar fazer com que o período balnear vá além de julho, agosto e setembro?”.

Núcleo museológico da Sidra no Santo

Na parte que tem a ver com a terra, o candidato social democrata quer constituir cooperativas para apoiar os agricultores. “O mercado agrícola é importante e temos que criá-lo, uma vez que as pessoas produzem e precisam de escoar os seus produtos. Os acessos, através dos caminhos agrícolas, é outra preocupação. E as licenças não podem demorar muito tempo quando têm alguma ideia de investimento, há que celerar procedimentos”.

Para o Santo da Serra, Ricardo Sousa tem nos seus planos a criação de um núcleo museológico da Sidra, “atendendo à produção que ali se faz e à necessidade de potenciá-la em termos de economia local”.

PSD Machico pacificado, estou de corpo e alma

A componente política propriamente dita, que coloca um quadro previsível de bipolarização no concelho, não sendo uma situação nova, está acrescida de um pós conflito interno no PSD-Madeira, que se arrastou um pouco por todos os concelhos. Ricardo Sousa garante que o partido está pacificado em Machico. As internas já lá foram, não esconde que foi apoiante de Manuel António contra Miguel Albuquerque, mas usa o convite e a confiança da nova liderança “laranja” em si como prova de que a situação está ultrapassada. “Estou de corpo e alma nesta candidatura e conto com todo o PSD de Machico. Tive o cuidado de falar com todas as sensibilidades, criando uma equipa abrangente e hoje podemos dizer que o PSD está mobilizado para regressar às vitórias nas autárquicas em Machico”.

Vamos dar uma manifestação de força e vitalidade do PSD

Não deixa cair qualquer ponta de dúvida sobre essa unidade que diz haver no PSD-Madeira e, localmente, em Machico. “Veja a mobilização que se deu aquando da apresentação, no Funchal, de todos os candidatos autárquicos, e depois na Festa do Chão da Lagoa”. São fatores que impulsionam a sua candidatura para um ambiente de empenho, garantindo que a estratégia de campanha, que já está a ser seguida há algum tempo, tem como base o contacto direto. É provável que, em determinadas freguesias, ocorram alguns comícios, num modelo mais pequeno. Possívelmente vamos reunir militantes como manifestação de força e vitalidade do PSD”.