O riso de Alberto João Jardim

Num comentário intitulado ‘Rio-me”, o ex-presidente do Governo Regional e do PSD-M, Alberto João Jardim veio hoje a público num discurso enigmático.

Ora leia:

“Não sou politicamente correcto.
E se alguém tem dúvidas, coitado, até hoje não percebeu o mundo por onde anda.
O preço que paguei ao longo de uma longa carreira política por não ser politicamente correcto, nem sequer me incomoda. Gozo mesmo longamente com o longo que gozei dos politicamente correctos.
Por uma razão simplicíssima. É que sou um homem livre, gozo do que me apetecer, desde que não ofenda, os outros também são livres de me gozar.
Daí, eu goze dos politicamente correctos e alguns destes me gozem. Todos entendemos a Liberdade.
Mas a maior parte dos politicamente correctos não admitem que eu os goze, nem sabem como me gozar.
E eu ser politicamente incorrecto, começa pelo regime político português que não é uma democracia com as Democracias civilizadas da Europa.
Sou oposição a este regime constitucional de 1976, um negócio para então evitar uma guerra civil. Oposição minha, esta, que não politicamente correcta.
Logo, para os fundamentalistas deste regime dos cinco partidos que o ornamentam no parlamento, camuflados de “adversários” entre si, é politicamente incorrecto eu ter sido sempre eleito num regime a que sou oposição. E com as regras dele!…
E mais politicamente incorrecto é eu recordar e me divertir com este politicamente incorrecto. Como super politicamente incorrecto é eu denunciar a censura, particularmente na Madeira, censura que se tem por politicamente correcta, na medida em que impede, castiga, o politicamente incorrecto.
Ora, em coerência com este paleio politicamente incorrecto, portanto sou livre e permito-me dizer o que apetece sobre sexo, justiça, arte, segurança, raças, ambiente, transportes, relações laborais, saúde, etc. Sobretudo o que nesta sociedade mentirosamente dita “democrática” ou “livre”, é imposto como pensamento único. E somos criminalizados se não repetirmos, encarneirados, tal politicamente correcto!…
Portanto, coerente com o politicamente incorrecto que sou, dou aqui por transcrito tudo o que os politicamente correctos querem me retirar a Liberdade de exprimir.
Agora levantem um “inquérito”.
Constituam-me arguido.
Como é que se diz?… Fixem-me termo de identidade e de residência.
Os idosos cerebrais que por ai andam, automencionados como “velhos do Restelo”, inquietos por parecer “jóvens”, que me expulsem do partido.
O regime fala de uma democracia, mas é o que se sabe. Na lógica do politicamente correcto, devia ser declarado politicamente incorrecto.
Assim, como politicamente incorrecto que sou, passava a situacionista, a politicamente correcto do regime politicamente incorrecto.
Sempre a rir da pobre gente e do pobre país que, agarrados ao politicamente correcto, esqueceram como se ri.”