
É a saga de uma família cuja luta e resiliência são inspiradoras e merecem registo. Há cerca de dois anos, o FN revelava a história dos quadrigémeos pela voz da mãe, Nélia Alves. Os então estudantes do 12.º escolaridade precisavam de apoios para entrar no ensino superior. Ao sonho juntou-se o combate e a solidariedade. Os quatro entraram em simultâneo no ensino superior. Uma aventura, um sonho de família, uma obra dispendiosa que singrou. A solidariedade de vários quadrantes falou mais alto e, neste momento, a mãe dos quadrigémeos revela que todos os filhos transitaram para o terceiro ano dos respetivos cursos superiores com notas altas, o que enche de orgulho e gratidão Nélia Alves.
No entanto, os espinhos não desapareceram. O estudante de Medicina em Lisboa, Nuno Alves, precisa de alojamento para o terceiro ano. A mãe agradece reconhecidamente a generosidade de uma arquiteta (Espaço A) que gentilmente soube acolher este jovem estudante ilhéu. Mas o apartamento cedido ao Nuno terá de ser ocupado e o jovem procura agora alojamento junto ao Hospital de Santa Maria, onde estuda. Com o seu espírito combativo e persistente, a mãe tenta descortinar alguém que viva na cidade universitária que também possa acolher o estudante madeirense e daí o seu apelo aos leitores do FN que têm acompanhado desde a primeira hora esta família.
Quem ajuda o Nuno?
O futuro médico está envolvido em muitos projetos na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, quer como monitor de anatomia, quer na área da investigação e ainda pretende integrar a comissão de estudantes. Numa oral de neuroanatomia teve 20 valores, observa com orgulho a mãe, sempre a pedir desculpa por se mostrar envaidecida com o desempenho dos seus tesouros. Isto significa que o aluno fica a estudar no Hospital até de madrugada e precisa de ter um alojamento por perto para poder prosseguir os seus estudos.

Nélia Alves revela que retomará o ciclo da burocracia para a solicitação das bolsas de estudo para mais um ano letivo – cujos valores só entram mais tarde – e espera contar com o apoio solidário de algumas entidades que ajudam com grande discrição. Mas não chega, porque quatro filhos a estudar em simultâneo no ensino superior é uma grande e dispendiosa batalha. Tem consciência de que são muitas as famílias que atravessam sozinhas dificuldades para terem os seus filhos nas faculdades. Mas o percurso dos filhos, no meio de tamanhas adversidades, deve ser continuado até que atinjam os seus objetivos e possam servir a comunidade que os tem apoiado.
Mérito académico dos 4
A Beatriz Alves estuda Fisioterapia em Lisboa e é conhecida pela sua dedicação às causas que abraça e doçura. Quando foi para Lisboa, teve de ficar alojada numa modesta residência em Chelas com deslocações diárias para a faculdade, no Parque das Nações. A mãe regressou com o coração doído mas tudo tem sido ultrapassado com garra e fé.
Os outros dois filhos, Diogo e João estudam na Universidade da Madeira, no curso de Educação Física e Desporto e, mais perto de casa, as despesas são naturalmente inferiores. Mas os jovens não se ficam pelos estudos. Além de terem boas notas, o João treina um grupos de crianças para melhorar o seu currículo, enquanto o Diogo faz voluntariado na Cruz Vermelha Portuguesa e procura seguir sempre as orientações dos coaches do Clube Naval do Funchal, pois revela uma vontade extraordinária de aprender.
Nuno e Beatriz ainda se encontram a concluir os estudos deste segundo ano, em Lisboa. Depois as férias, mas também neste período ninguém pode cruzar os braços. O Nuno e o João trabalham nas férias para pouparem para os livros e iniciar depois os mestrados.

Nélia Alves surpreende-se até com o percurso académico dos filhos: “Eu costumava ter boas notas, mas esta dedicação que demonstram aos estudos é reveladora de que estudam porque amam os seus cursos, e isto faz toda a diferença. Além disso, não se cansam de me expressar o seu amor e gratidão por todo o esforço que faço, como mãe e pai, para que tenham a sua formação, o que não deixa de me orgulhar e incentivar a minha luta”.
Nélia, o pilar da família
Como o FN já revelou há dois anos, Nélia Alves viu-se, há cerca de três anos, inesperadamente enlutada com a morte súbita do marido. Além deste desgosto, o trabalho que tem nem sempre lhe garante rendimento. Sendo guia de turismo, o trabalho é periódico. Não dispondo de um vencimento regular, confrontava-se com quatro filhos, então com 18 anos, a frequentar o 12.º ano de escolaridade, com o sonho de frequentar o ensino superior. O assunto foi divulgado pelo FN, dado o apelo de Nélia Alves. A solidariedade de madeirenses e continentais foi evidente e tem também ajudado a família a concretizar este sonho, que era também o sonho do falecido pai dos jovens.

Preços chocantes em Lisboa
Hoje, com 20 anos de idade, os resultados dos quatro estudantes provam que valeu a pena deitar-lhes a mão. Mas a etapa que se segue exige novo pedido de ajuda, sobretudo devido à situação de habitação do Nuno. Em Lisboa, como é do conhecimento público, os preços das habitações são exorbitantes. Num vão de escada chegam a cobrar 300 euros mensais, o que é manifestamente insuportável para quem conta todos os euros para a sobrevivência familiar. Os estudantes das ilhas ou do Norte do país ou têm sorte de encontrar apoio em algum lado ou então têm de desistir. Daí o apelo de Nélia Alves para que o Nuno encontre feedback junto de alguém caridoso, disposto a ajudá-lo nesta etapa.
A família Alves reitera a sua “gratidão” aos leitores do FN e a todos quantos direta ou indiretamente possam colaborar nesta obra de concretizar o sonho dos quatro jovens na conclusão dos estudos superiores.

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