Solar dos Freitas na Madalena do Mar caminha a passos largos para a degradação

O brasão da família em avançado estado de degradação. Memórias que se vão calando na história. (Fotos in Pinterest.com)

Por estes dias, a Madalena do Mar é muito procurada por madeirenses e turistas ao longo da época estival. Mas o olhar do forasteiro pela bela Ponta do Sol não se fica apenas pela passeata à beira mar mas perde-se também, num misto de nostalgia e mágoa, pelo património edificado que continua votado ao abandono. O FN alerta hoje para o Solar dos Freitas, em avançado estado de degradação, num apelo a uma mais do que necessária recuperação.

Como outros solares da Madeira, estes edifícios guardam preciosas histórias de outras épocas e são a marca cultural de uma Ilha que também tem património para mostrar e promover, para além do distinto clima e paisagem. O solar da Ponta do Sol, também conhecido como a Casa do Rei, está classificado e é uma relíquia lendária pela sua ligação ao rei Ladislau da Polónia e igualmente à família da escritora Luísa Grande.

O solar está implantado nas imediações da Igreja Matriz, dela destoando pelo seu estado de ruína. Tendo pertencido a antigos morgados da Ponta do Sol, há muitos anos que se encontra fechado num penoso silêncio que não deixa de tocar aqueles que apreciam o património da Madeira como uma verdadeira preciosidade que urge preservar e promover. Segundo informaram o FN, o imóvel pertencerá à Diocese do Funchal.

Se as autoridades competentes não agirem depressa,  o Solar dos Freitas, construído no século XIX,  acabará como tantos outros por desaparecer, sucumbindo à degradação. O brasão de armas da família, na fachada sul, evidencia já grande desgaste.

Nos sites de divulgação turística da Ponta do Sol, o que circula na Net é pouco abonatório para a imagem cultural do concelho e da própria Região: “Casa rural de planta quadrada irregular, tipicamente madeirense, constituída por uma loja no rés-do-chão e moradia no piso superior. Foi construída no século XIX e, durante a década de 40 do século XX serviu como quartel. Encontra-se em mau estado de conservação”.

Há dois anos, o blog “nobicodaquebrada” é particularmente crítico quanto ao estado de abandono deste exemplar edificado: “Se o nível de civilização de um povo se estima pelo modo efectivo como este trata a sua história e o seu património então Portugal caminha a passos largos para a barbárie. Em 1997 a diocese do Funchal prometeu recuperar o Solar dos Freitas da Madalena do Mar, bonito edifício que o povo conhece e chama por Casa do Rei – por ter sido neste espaço que se ergueu outrora a ermida e casa senhorial do misterioso Cavaleiro de Santa Catarina do Monte do Sinai, figura sob a qual Ladislau III da Polónia do Varnense pode se ter ocultado, depois da derrota na Batalha de Varna contra os Turcos em 1444 e posterior odisseia pela Terra Santa e Europa Ocidental. Até o hoje o edifício continua devoluto, a destoar da cuidada envolvência da igreja e recinto paroquial e restante casario, como se pode ver nesta foto das armas dos Freitas, antigos morgados da Madalena, quase que a corresponder, tragicamente, ao modo displicente como a historiografia portuguesa e europeia encarou este assunto, relegando-o para a categoria das mais mirabolantes ficções lendárias: um erro duplo, da sociedade e da comunidade académica, quer pela relevância arquitetónica do solar e seu possível aproveitamento turístico, quer pela falta de provas históricas contrárias às versões eruditas e às versões populares.”

Se as entidades autárquicas locais ou governamentais têm planos de reabilitação ou sequer de restauro do Solar dos Freitas, o FN desconhece-os. Estas intervenções custam caro, é certo, e nem sempre há liquidez na tesouraria para reanimar estes exemplares históricos e mantê-los a funcionar. Mas se a Região investe em diversos eventos, com apoios elevados do erário, por que não uma aposta assumida e concertada na preservação do património edificado que se vai degradando pouco a pouco em diversos pontos da Região?