‘Nós, Cidadãos!’ faz o diagnóstico: a saúde na Madeira está doente

O partido ‘Nós, Cidadãos!’ veio pôr em causa a intervenção pública, no passado dia 14 de Junho, do secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, na qual este referiu que a saúde “caminha a passos largos para a normalização. Esta força política afirma, pelo contrário, que “a saúde está doente”.
“Por outras palavras, para o Nós, Cidadãos! o diagnóstico não é bom e o prognóstico é
revelador de ainda mais problemas no futuro, a saber:
1. Demissão do director do Serviço de Psiquiatria do SESARAM, EPE e existência de apenas
um médico no serviço público de psiquiatria regional. Ou seja, um grande número de
doentes em lista de espera, que em alguns casos pode ultrapassar os 2 anos para uma
primeira consulta. Como consequência, mais contratos programa com os privados (IPSS) –
quando poderíamos poupar se tivéssemos um serviço público reestruturado e operacional
como aquele que existe, por exemplo, nos Açores – contratos programa (com onerosos
custos para a região) que deveriam ser submetidos uma auditoria para que se possa saber,
por exemplo, se são cumpridos o número de consultas, os tempos de consulta, o tipo
medicação dada aos utentes, etc.
2. Demissão do director do Serviço de Cardiologia, Dr. Décio Pereira, e saída também de um
jovem médico do mesmo serviço, seguido de um segundo, acabado de formar, que foi
dispensado pelo próprio SESARAM.
3. Situação das viaturas de transporte de doentes do SESARAM paradas e à espera da
renovação dos contratos de manutenção, e inexistência da respetiva manutenção técnica e
realização das inspeções periódicas. Mas não esquecemos também o transporte de doentes
não urgentes – em condições que representam riscos – em ambulâncias que não são
desinfetadas e raramente são limpas.
4. Falta de medicamentos na farmácia hospitalar recorrentemente, em particular, os usados
em doentes oncológicos e tratamentos interrompidos, protelados ou alterados devido à
indisponibilização dos fármacos. Em suma, doentes que involuntariamente interrompem a
realização das suas sessões de quimioterapia”.

O partido prossegue, sem dó, enumerando:

“5. Um serviço de cuidados primários de saúde – que deve de ser a primeira linha de contacto com os doentes/utentes assegurando-lhes cuidados essenciais e um
aconselhamento na resolução dos seus problemas – que não responde e leva por exemplo,
no ano de 2016, cerca de 40 mil cidadãos a recorrer às urgências do Hospital Dr. Nélio
Mendonça, sem que verdadeiramente necessitassem de o fazer, entupindo assim, em
determinadas épocas do ano, aquele serviço. Mas poderíamos também mencionar o
problema das altas problemáticas que não tem uma solução fácil e que, pela natureza, é um
problema que permanente e que precisa de uma melhor concertação com a Segurança
Social e outras instituições de carácter social.
6. Níveis elevados de exaustão emocional e laboral (‘burnout’) dos médicos internos e
especialistas de várias especialidades e unidades de saúde, que exercem no SESARAM –
cerca de 19% diz “sentir que está no seu limite”.
7. Problemas na idoneidade formativa do SESARAM, pois há serviços que correm o risco de
perder, pelo menos parcialmente, o reconhecimento da competência para formar novos
médicos e, alguns serviços e especialidades, já só a têm de forma parcial, o que obriga o
estagiário, depois de passar pelo SESARAM, a ter de concluir a sua formação noutra
instituição.
8. E enquanto todos NÓS, Cidadãos! aguardamos pela construção do novo Hospital
Regional – a ser projectado e construído num futuro que tardará ainda em chegar – existe um conjunto de contratos e obras em curso por parte do SESARAM (e algumas abandonadas e outras delas nem iniciadas estão), que custarão ao erário público da região
aproximadamente 14 milhões de euros”, conclui o partido.


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