Moradores do Monte contestam requalificação do ribeiro de Nossa Senhora, que afectará o Largo da Fonte

Fotos: Rui Marote

Pouco antes do meio-dia, é altura de azáfama no Largo da Fonte, no Monte. A ‘Sintra da Madeira’, como é conhecida, está a ser visitada por largos bandos de turistas. Os enormes autocarros turísticos param na estrada, mesmo ao pé, movimentam-se dificilmente, em manobras complicadas, para trás e para a frente. O espaço para estacionar e descarregar passageiros não é muito, para cruzarem-se em sentido contrário também não. Junto à antiga estação de comboios, um guia turístico explica, em alemão, a uma pequena multidão reunida o papel proeminente que aquele edifício desempenhou no passado.

Entretanto, no centro do Largo, um pouco para lá do coreto, veículos de trabalho da empresa  de engenharia e obras públicas José Avelino Pinto preparam-se para começar a instalar os tapumes que irão proteger uma obra que em breve ali começará: a da requalificação do ribeiro de Nossa Senhora, que já correu ali a céu aberto, muitas décadas atrás, e que agora se encontra canalizado de forma subterrânea.

A obra, dizem os populares com quem o Funchal Notícias contactou, é da responsabilidade do Governo Regional. Logo, da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, de Sérgio Marques, com a tutela das obras, e com comparticipações prováveis do Estado e da União Europeia. Os nossos interlocutores comentam que será abrangida pela Lei de Meios. E contestam-na. Dizem-na totalmente desnecessária. Para os habitantes da localidade, é apenas mais um empecilho que será criado em pleno centro da freguesia, uma das mais “românticas” do Funchal, das mais visitadas por turistas, e a pouco tempo da Festa que, em Agosto, congregará muita gente numa das celebrações mais concorridas da ilha, onde o sagrado e o profano se entrecruzam, entre missas e arraiais. Ficará pronta a tempo? Os populares duvidam.

Mais: dizem que o Governo Regional assina de cruz para empreiteiros levarem a cabo obras de utilidade duvidosa. Mostram-nos fotografias, vídeos, que dão conta do estado no interior do túnel por onde corre o ribeiro. Lá dentro, muros de pedra aparelhada, um tecto escorado em algumas zonas, onde seria necessário haver uma intervenção, admitem. Mas comentam: “É como deitar abaixo uma casa que tem algumas telhas partidas no telhado, para começar a construí-la outra vez”. Uma obra de grande dimensão não seria necessária, como a que já vem sendo feita na alegada requalificação do ribeiro a montante.

Agora será necessário destruir o pavimento do Largo da Fonte, que foi todo arranjado há cerca de uma década, dizem-nos, e que se caracteriza por ser coberto por pedra miúda e rolada. Quando e como ficará tudo isto reposto? É a pergunta que nos colocam. A obra é, pois, contestada. Entretanto, os turistas passam pelos camiões, carrinhas e trabalhadores da JAP. Equipamentos ruidosos são accionados. Começaram-se a instalar os tapumes. Em breve vai partir-se o chão para “arranjar” o curso do ribeiro. E os moradores continuam a interrogar-se: para quê?