Ireneu Barreto elogiou autarcas em ano de eleições e enviou mensagem de esperança e de coesão aos portugueses e à diáspora

 

Fotos: Rui Marote

O representante da República elogiou hoje, na cerimónia do 10 de Junho decorrida no Palácio de São Lourenço, as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, especialmente os madeirenses emigrados. “A vós devemos em grande parte a actual grandeza de Portugal e de ser português”, declarou.

Para Ireneu Cabral Barreto, que falava após uma cerimónia militar no exterior e uma deposição de flores no “Monumento ao Emigrante”, “Portugal tem conseguido voltar a afirmar-se no mundo porque tem uma diáspora de excelência na inovação, na ciência, na política internacional, no desporto, na literatura, e em tantas outras áreas. Estamos entre os melhores do mundo porque conseguimos ser excelentes naquilo a que nos dedicamos de corpo e alma”.

O dignitário considerou, por outro lado, que está no ADN dos portugueses a paz, o diálogo e a tolerância, referindo que, num momento em que emergem movimentos populistas em diversos Estados, dentro e fora da Europa, é reconfortante perceber que “em Portugal não há partidos radicais”, e que esse radicalismo também não tem reflexo nas nossas comunidades no estrangeiro.

Porém, reconheceu os “tempos conturbados” que hoje o mundo atravessa, com o chamado “Brexit”, por exemplo, que afectará previsivelmente a estabilidade dum país onde vivem muitos portugueses, a Inglaterra; é necessário acompanhar o processo cuidadosamente, para que este não traga consequências negativas para os nossos compatriotas lá residentes. Por outro lado, considerou imperioso manifestar solidariedade para com os cidadãos de origem portuguesa que vivem em Estados que atravessam momentos difíceis, com intolerância, xenofobia, terrorismo, crise das instituições e instabilidade política e social na ordem do dia e a repercutirem-se no quotidiano.

Por isso, apelou à solidariedade enquanto desígnio nacional, de modo a fazer sentir aos portugueses emigrados que “há, não apenas uma Região, mas todo um País, dos cidadãos às instituições, da mais humilde junta de freguesia até às mais altas instâncias, com disponibilidade para ajudá-los (….)”. Para Ireneu Barreto, tal não será mais do que o exercício dum sentido elementar de justiça “para com quem tanto nos ajudou no passado quando as dificuldades eram as nossas”.

“Os sinais que nos são dados ao nível dos Governos da República e da Região permitem-nos guardar a esperança. E estou convencido que a União Europeia não nos fechará a porta se lhe solicitarmos ajuda”, comentou.

Aos moradores em países onde “a situação é mais aguda”, a todos veio garantir “que não os esquecemos, dirigindo-lhes uma palavra fraterna de esperança, de acompanhamento e de conforto”.

O juiz conselheiro também aproveitou para invocar Camões, como símbolo da História pátria e do orgulho que temos no nosso passado de “coesão nacional”, e de “contributo para a civilização, ciência, cultura, enfim, globalização” que permitiu “afirmar a língua portuguesa como a sexta mais falada no mundo, abrangendo mais de 200 milhões de pessoas”.

Apelou a essa mesma coesão num novo ciclo de dificuldades, mas que, como o Cabo das Tormentas, pode ser ultrapassado com determinação e vontade.

Manifestou-se crente de que a retoma da economia fomentará a esperança, com o trabalho de todos e a necessária correspondência das instituições públicas às expectativas, e bem assim da juventude do país, na qual mostrou ter confiança.

Dirigiu uma palavra especial às autarquias, que este ano vão a eleições, enaltecendo o facto de que é muitas vezes a este nível local que se sente “o pulsar da democracia” porque os cidadãos têm um contacto mais directo e imediato com aqueles que por si foram eleitos.

“Sou testemunha do esforço, dedicação e abnegação que tantos autarcas madeirenses dedicam às aspirações daqueles que representam. Lutando, muitas vezes, com a insuficiência de recursos humanos ou financeiros, são verdadeiros protagonistas na procura de melhores condições de vida para as comunidades”.

Numa cerimónia marcada por várias interpretações musicais e declamações de poesia por consagrados agrupamentos como o Coro de Câmara da Madeira mas também por jovens presentes, e na qual estiveram reunidas as mais altas entidades civis, militares e religiosas da RAM, Ireneu Barreto condecorou de seguida, em representação do presidente da República, Maria Isabel Saraiva de Moura Mendonça, médica cardiologista, o Pe. João Vieira, pedagogo ligado aos Salesianos há muitos anos, e a Associação de Futebol da Madeira, representada pelo seu presidente, Rui Marote. Nenhuma das pessoas individuais que foram distinguidas é natural da Madeira; mas ambas residem na ilha há muitos anos.

“Julgo que os méritos das personalidades e da instituição hoje distinguidas são públicos e notórios, e a homenagem que aqui se lhes presta amplamente merecida”, considerou. Apelou ainda a que se veja nos condecorados uma referência para o futuro.

Refira-se ainda que nesta cerimónia esteve presente pela primeira vez o novo comandante naval da Madeira, capitão-de-mar-e-guerra Silva Ribeiro, para todos os efeitos ainda um ilustre desconhecido das autoridades regionais, dado que ainda não assumiu oficialmente funções, substituindo Sousa Pereira.