Ireneu Barreto no Prémio Camões distingue aluna da Bartolomeu Perestrelo e fala em mostra de talentos

O Representante da República para a Madeira distinguiu hoje, numa cerimónia que teve lugar no Palácio de São Lourenço, os melhores alunos que concorreram ao Prémio Camões que marca o início das comemorações do 10 de junho, “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.

Como já havido sido anunciado, o primeiro prémio foi conquistado pela aluna Ana Margarida Figueira e Castro, do 9º. ano da Escola Básica 123/PE Bartolomeu Perestrelo; o segundo prémio foi atribuído a Leonor Gomes Henriques, aluna do 9º. ano do Colégio de Santa Teresinha, e, por fim, o terceiro prémio foi entregue a Pedro Afonso Jesus dos Santos, aluno do 12º. ano da Escola da APEL.

 

Sobre a simbologia da efeméride, Ireneu Barreto referiu que, “associar as novas gerações ao 10 de junho, que é uma data da cidadania, é mostrar a nossa confiança no porvir, e em particular naqueles que serão os seus principais construtores. Nada é mais tocante do que contemplar um texto produzido por um jovem, ou por uma jovem, que, utilizando os cânones que todos conhecemos e já interiorizámos, nos fala de algo novo. E para a família e os seus professores nada será mais reconfortante do que descobrir originalidade, arrojo e objetivo, pela inspiração dos que viram crescer e formarem-se diante dos vossos olhos”.

Mostra de talentos

Referindo-se aos trabalhos apresentados em concurso, o Representante da República comentou: “Os textos apresentados a este concurso são uma mostra de talentos vários. Alguns se destacaram, e por isso são premiados. Mas o aspeto da competição não é o mais importante: é apenas um tónico, uma motivação adicional para o que mais importa. E o que mais importa é o trabalho. Porque o talento dá muito trabalho. Uma obra brilhante é muito mais do que uma ideia genial; é, sim, o resultado de um intenso labor sobre uma ideia que, por muito extraordinária que fosse, nada seria sem a determinação de concretizá-la.O mais importante é, por isso, ousar e persistir. Colocar o esforço ao serviço da nossa imaginação e ambição. Porque, no final, crescemos sempre alguma coisa nesse processo. Em algum momento, o nosso esforço, o nosso trabalho, será recompensado. Repito: o talento dá muito trabalho. E também se aperfeiçoa, como tudo o resto. Realmente, se não pusermos mãos à obra, as nossas ideias nunca darão o seu contributo para a nossa realização pessoal e, quiçá, para o progresso da nossa sociedade. Nisso poderemos correr alguns riscos, é certo: mas viver é isso mesmo, correr os riscos da nossa liberdade e da nossa criatividade. E hoje estão todos de parabéns. Este vosso esforço já contribuiu para o vosso crescimento interior”.

Estímulo aos professores

Ireneu Barreto deixou ainda uma homenagem aos professores: “Nada disto seria possível sem o comprometimento das Senhoras e Senhores Professores. O vosso esforço e dedicação são determinantes, hoje, como todos os dias. Não fosse o incansável trabalho que realizam ao longo do ano, todos os anos, não teríamos certamente a motivação que se encontra nos trabalhos destes alunos. Nem sempre a vossa ação é devidamente apreciada. Talvez porque a confundamos por vezes com o imediatismo das classificações escolares; talvez porque estamos pouco atentos; certamente porque a relação entre a escola e a comunidade nem sempre é a mais perfeita. Como diz Fernando Savater, o nível de desenvolvimento de uma sociedade afere-se pelo tratamento dado aos professores. E neste domínio, muito temos ainda por fazer. E, se tendo a concordar com George Steiner: “O verdadeiro ensino é vocação”, e igualmente “um dom”, não deixo de concluir que do reconhecimento pela nobre missão de ensinar depende em grande medida o futuro dos nossos alunos. E, apesar de algumas nuvens negras que ensombram o vosso universo, a Região deve orgulhar-se de uma classe docente formada em instituições modernas, a par dos mais elevados patamares e com os resultados à vista: os vossos alunos a alcançarem lugares de inquestionável apreço nas várias dimensões em que se projetam”.

Por fim, a importância da família, salientada por Ireneu Barreto. “E não podemos também, nesta ocasião, ignorar a importância da família.

A família é um elemento da “comunidade escolar” num sentido lato, e é simultaneamente o primeiro e último suporte dos nossos jovens. No nosso tempo, são muito mais intensas que outrora – felizmente – as solicitações para que a família participe na formação escolar e complementar das crianças e jovens. Consequentemente, as dificuldades são também outras. Os pais e outros familiares lutam constantemente para, no seu ocupado quotidiano, reservarem tempo para acompanhar os seus jovens. Cientes da importância desse esforço, fazem muitas vezes sacrifícios que devem ser realçados. A esses sacrifícios somam-se, tantas vezes, dificuldades económicas que também não conseguimos ainda, como sociedade, resolver satisfatoriamente. No entanto, os resultados vão surgindo, mostrando que também neste domínio as famílias portuguesas não se resignam. E este é um excelente símbolo de tudo o que no dia 10 de junho celebramos”.