Dirofilariose canina

A dirofilariose ou “verme do coração” é uma doença causada por um parasita, denominado Dirofilaria immitis, transmitido através da picada de um mosquito culicídeo.

Esta patologia afecta principalmente a espécie canina e é comum em zonas quentes e temperadas, representando atualmente uma das doenças parasitárias dos cães mais importantes da Península Ibérica. Em Portugal, algumas zonas têm uma prevalência significativa de Dirofilariose, sendo que na Madeira a prevalência é de cerca de 30%.. A Dirofilariose não é contagiosa entre cães.

A doença só se transmite mediante a picada dum mosquito portador da forma larvar infetante. No entanto, um cão doente constitui um foco de transmissão da doença, porque transmiti-la-á aos mosquitos que nele se alimentarem, dando início a um novo ciclo da doença. A Dirofilariose só causa sintomas clínicos numa fase bastante avançada da doença. Infelizmente, quando os sintomas clínicos se manifestam, o processo está de tal forma avançado, que as lesões existentes nos órgãos internos podem ser, já, irreversíveis. Os sinais clínicos são diversos e incluem tosse, síncopes cardíacas (desmaios), cansaço exagerado durante o exercício, apatia, perda de peso e dificuldades respiratórias. A doença é diagnosticada através da realização de análises específicas. O diagnóstico pode ser efetuado pelo Médico Veterinário em poucos minutos, com recurso a testes rápidos que utilizam um pequeno volume de sangue do cão.

A prevenção constitui a melhor forma de combate a esta doença. Quando comparada com o tratamento, a prevenção é muito mais segura para o paciente, de execução mais fácil e menos dispendiosa. Os medicamentos utilizados para realizar a profilaxia da dirofilariose não devem ser administrados sem que se tenha a certeza que o cão não é portador do parasita. A administração destes medicamentos a um cão com dirofilariose pode ser fatal! Existe tratamento, mas a sua viabilidade depende da gravidade da infestação. Cada paciente deve ser avaliado, individualmente, mediante uma série de exames que visam avaliar, quer o grau de infestação, quer a extensão das lesões cardíacas e respiratórias associadas ao processo. O risco associado ao tratamento está relacionado com o número de parasitas adultos existentes a nível do coração e das lesões por eles provocadas nos órgãos internos. Na maioria dos casos, os cães infestados podem ser tratados com sucesso. No entanto, o tratamento é demorado, dispendioso e arriscado. Por regra, a doença não constitui perigo para o Homem. Não obstante, os seres humanos podem ser picados por mosquitos infestados e, ainda que raramente, desenvolver formas cutâneas ou respiratórias de dirofilariose. Nestes casos, o parasita nunca atinge a forma adulta. Os gatos também pode ser afetados por esta doença. São afetados em menor escala que os cães (para uma região, o número de gatos infestados é 5 a 15 % o de cães parasitados). Embora os gatos sejam mais resistentes ao desenvolvimento do parasita, devido ao seu pequeno porte podem ficar extremamente doentes na presença de um número reduzido de Dirofilaria immitis adultos. Apesar de estarem descritos poucos casos de dirofilariose felina em Portugal, recomenda-se a realização de profilaxia desta doença nos gatos, com recurso a produtos idênticos aos usados na prevenção da dirofilariose canina.