Última actividade das “Capelas ao Luar” é no Porto Santo

A edição de 2017 do projecto “Capelas ao Luar” termina este sábado, dia 20 de Maio, na Capela do Espírito Santo, no Porto Santo, informa a Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, que salienta que, como tem vindo a acontecer nos eventos anteriores, às 21 horas haverá um apontamento de música barroca por elementos da Orquestra Clássica da Madeira, seguido, às 21h30, pela visita guiada à Capela, a cargo de Rita Rodrigues e Francisco Clode de Sousa. Na ocasião, será ainda lançado um guia patrimonial.

A iniciativa que fecha a edição deste ano do projecto que pretende chamar a atenção para o interesse patrimonial e artístico das capelas da RAM é de acesso gratuito, mas carece de inscrição prévia através do endereçocapelasaoluar.drc@gmail.com.

A Capela do Espírito Santo, situada no Campo de Baixo, Porto Santo, é uma construção do início do século XVII, ainda de traça maneirista. Conhece-se campanha de obras no século XVII, mas as intervenções mais significativas decorreram nos séculos XVIII, XIX e XX.

No interior da Capela do Espírito Santo destacam-se o retábulo de talha, policromado, cujos figurinos remetem para produção oficinal regional do século XVII, um sacrário de madeira dourada; um cálice de prata dourada e uma píxide de prata, ambos do século XVII; um “Cristo crucificado”, em madeira, datável do século XVIII; pia batismal com taça esférica e base hexagonal executada em cantaria rija e pia de água benta em cantaria do Porto Santo; tecto em madeira pintado com elementos decorativos do século XX; um silhar de azulejos de tapete de produção recente. De referir, ainda, o arco triunfal, de volta plena e suportado por duas pilastras, lavrado em cantaria do Porto Santo, que separa a nave da capela-mor. A capela apresenta, ainda, coro alto com balaustrada executada em madeira.

Mas a grande referência patrimonial desta capela, salienta a SRETC, é, sem dúvida, uma pintura a óleo sobre tábua, de pequenas dimensões, do século XVI, que não deverá ultrapassar a data de 1530, de oficina flamenga, representando uma “Sagrada Família”. A pintura está atribuída às oficinas de Antuérpia de Joos van Clève, de seu nome próprio Joos van der Beke (c.1485-1540) ou Quentin Metsys (1466-1530), ou seguidores destas oficinas.

A pintura “Sagrada Família” esteve exposta nas exposições “Jesus Cristo – Ontem, Hoje e Sempre, em 2002, e “Madeira, do Atlântico aos confins da Terra”, em 2014, comemorativa dos 500 Anos da Diocese, ambas no Museu de Arte Sacra do Funchal. A primeira exposição foi coordenada por Luiza Clode, com concepção expositiva de D. Teodoro Faria, e a segunda comissariada por Francisco Clode de Sousa, Luiza Clode e D. Teodoro de Faria, e com o apoio científico das historiadoras Isabel Santa Clara e Rita Rodrigues.