Dia dos Museus também assinalado amanhã no Museu Etnográfico da Madeira, inclusive com lançamento de livro

O Museu Etnográfico da Madeira acolhe amanhã, pelas 17h30, o lançamento na Região do livro “Casas (pós-) rurais entre 1900 e 2015. Expressões arquitectónicas e trajectórias identitárias”, uma obra da autoria de Ana Saraiva, editada pela Editora Colibri.

A autora estará presente nessa cerimónia pública, numa ocasião em que irá “tentar pensar com os presentes sobre a Casa enquanto lugar biográfico de cada um de nós, que liga, entre outros territórios, a Alta Estremadura, o Funchal e a região de Paris num mundo cada vez mais global e transnacional”.

Num relato que se estende por um século (1900-2015), são descritos três tipos habitacionais da arquitectura popular em Portugal: a “casa do trabalhador rural” (1900­‑1960), ligada à agropecuária; a “casa do emigrante” (1970-2015), ligada à emigração e a mudanças profundas nos campos; e a “casa emblematizada” (1990-2015), ligada à reificação da tradição, refere uma nota de imprensa da SRETC.

A obra apresenta uma teia de temas que se intersectam constantemente e que reflectem a relação com as casas em aspectos como os materiais e técnicas de construção, o espaço construído, a genealogia familiar, a vizinhança, a economia, a política, a hibridização o consumo, a identidade e o património.

Narrativas e biografias em torno da casa incidem nos campos portugueses, com estudos de caso na Alta Estremadura e em Ourém, e estendem-se à periferia de Paris para mostrar os impactos da emigração em Portugal e em França. Estas leituras são feitas a partir de um olhar contemporâneo atento à globalização e ao transnacionalismo e que reflecte continuidades e descontinuidades na arquitectura popular e nas trajectórias identitárias dos portugueses no último século.

Ana Saraiva é antropóloga, mestre em museologia e património e doutorada em antropologia (especialidade de políticas e imagens da cultura e museologia) pela Universidade Nova de Lisboa. Tem trabalhos de investigação no país (sobre representações identitárias, património e museus), com publicações, comunicações científicas e participações em projectos de desenvolvimento local. Chefia a divisão de acção cultural no Município de Ourém, sendo que programou e dirige o Museu Municipal de Ourém (museu da Rede Portuguesa de Museus).

Outras actividades no Dia Internacional dos Museus

O lançamento do livro é apenas uma das actividades programadas pelo Museu Etnográfico da Madeira no âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Museus, que se assinala amanhã sob o tema “Museus e histórias controversas: Dizer o indizível em museus”.

Neste âmbito, logo de manhã será aberta a exposição “O Sagrado, o Profano e o Poder: a Procissão do Corpo de Deus” que pretende divulgar antigos rituais desta procissão, que faziam parte da festa do Santíssimo Sacramento, festividade na qual o sagrado, o profano e o poder se misturavam, em oposição ou conciliação, consoante as circunstâncias.

Entre as 14 e as 15h45 haverá o Workshop “Museu Sustentável” através do qual o MEM pretende atualizar os seus conhecimentos e promover uma vida sustentável para os seus colaboradores e público em geral e, às 18h30, será apresentado ao público de um novo projeto de Cerâmica de Luz Henriques, no âmbito do qual estarão patentes ao público as peças de artesanato moderno da artista, inspiradas em elementos da nossa cultura tradicional, nomeadamente o bordado madeira, o barrete de vilão, as bonecas de massa ou o barco “xavelha”.

O MEM promove também amanhã visitas guiadas gratuitas às 10 horas e às 11h30.