“O PSD criou um grande problema na Ribeira Brava”

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Ricardo Nascimento acredita num novo mandato à frente da Câmara Municipal da Ribeira Brava. Foto Rui Marote

A Ribeira Brava vive, do ponto de vista político, uma situação a que não estava habituada. Era PSD e os outros e ninguém falava mais nisso. O Partido Social Democrata tinha as contas feitas já com a vitória contada e mesmo na hecatombe das autárquicas de há quatro anos, a Ribeira Brava esteve entre os concelhos “sobreviventes” no descalabro social democrata. Isso foi há quatro anos. Entretanto, muita coisa mudou, Albuquerque decidiu não apoiar a recandidatura ao atual presidente Ricardo Nascimento e deu a Nivalda Gonçalves, que lidera a Investimentos Habitacionais, ordem para avançar na candidatura “laranja” às eleições autárquicas de 1 de outubro próximo.

PSD-M cria problema onde não tinha

A decisão de fazer Nivalda avançar, num estilo um tanto idêntico ao que acontece com Rubina Leal ao Funchal, numa operação integrada para tentar minimizar estragos, com a diferença de que, no caso do Funchal, as dificuldades já estavam instaladas, fez com que o PSD-M criasse um problema onde não tinha, que ficasse na “corda bamba” onde não estava. E se os votos forem como os candidatos, temos o Partido Social Democrata dividido em três, porque Ricardo Nascimento decidiu avançar na candidatura liderando um movimento “Ribeira Brava Primeiro”, com o apoio mais forte do CDS/PP, porque Luís Drumond, outro conhecido PSD “desalinhado”, também vai concorrer com o apoio do JPP, e porque o PSD apresenta Nivalda Gonçalves. E perante isto, já ninguém se atreve a avançar com prognósticos sobre a decisão do povo. Uma coisa que vai ficar mesmo para a contagem dos votos.

Ricardo Nascimento sente “mágoa”

Ricardo Nascimento não esconde a mágoa que sente pela decisão do seu partido, sobretudo depois da vitória, com maioria absoluta, de há quatro anos, mas também pelo trabalho desenvolvido à frente da Câmara, com redução substancial da dívida – recebeu liderança com 15 milhões e agora está abaixo dos 5 milhões – sem prejudicar o investimento em áreas importantes para a população. Mas também diz que, em matéria de mágoas, o PSD-Madeira “tem deixado muitas ao longo dos últimos dois anos”.

Afirma ter trabalho feito, na área social, “no apoio aos manuais escolares do primeiro ciclo, na atribuição de um cabaz de material escolar, em articulação com as escolas para ver o que era mais necessário, além de outras medidas que permitem atribuir bolsa a todos os nossos alunos universitários”. Por isso, reforça, precisa de “mais quatro anos para consolidar esses apoios e avançar com outras medidas que vão ao encontro das necessidades da população”.

Não está contra ninguém

Falou com Albuquerque, trocaram argumentos e, pronto, ficaram por ali. Cada um foi à sua vida. Albuquerque com Nivalda e Nascimento com o movimento em busca da reeleição. O reflexo, está bom de ver, foi o pedido de suspensão da liderança da concelhia da Ribeira Brava e aguarda a decisão do partido sobre a própria militância, embora diga que não mudou de partido, apenas concorre por um movimento que integra o apoio do CDS/PP, do MPT, PDR e PPM. Mesmo assim, aguarda. Não está contra ninguém, foi mesmo decisão em consciência tendo como base o objetivo de dar continuidade ao trabalho e ao que está em curso. O partido não quis, tudo bem. “Se o povo não quiser, também respeito a decisão e vou à minha vida”.

Momento era para unir e não para dividir

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
” Já há dois anos que vínhamos notando uma divisão no PSD da Ribeira Brava e este momento era para unir e não para dividir”,. Foto Rui Marote

Admite que “o PSD-M criou um grande problema na Ribeira Brava”, face aos números que as vitórias alcançadas, em eleições anteriores, sempre revelaram. “Ainda estamos para ver como é que esse problema será sanado. Já há dois anos que vínhamos notando uma divisão no PSD da Ribeira Brava e este momento era para unir e não para dividir”, refere com preocupação, mas também com esperança num bom resultado, uma vez que, por convicção, mas pelos apoios que tem recebido por parte de muitas pessoas, acredita que pode merecer a confiança para mais quatro anos. “Acredito que o povo vai confiar-me a liderança da Câmara para mais quatro anos, de forma esmagadora. Mas também, se assim não for, vou continuar a viver, a passear e a tomar café na Ribeira Brava”.

Temos uma vila 1 e uma vila 2

Ricardo Nascimento diz que o povo da Ribeira Brava “tem o concelho nas mãos” e acredita que há projetos em curso, que devem ser concluídos pela sua equipa, tais como o plano de mobilidade, as áreas de reabilitação urbana com vista ao investimento, o plano social para mais quatro anos, por exemplo”. A par desta realidade, há certamente situações que se prendem com obras em falta, que a população anseia mas que tarda em ver concretizadas. “Temos alguns acessos viários ainda por fazer. Além disso, a Ribeira Brava tem uma vila 1 e uma vila 2. Há um plano que está a ser estudado e que visa precisamente criar uma vila única. É importante pensar o problema na natalidade, num contexto de apoios, se bem que os números tenham vindo a aumentar, ainda que de forma muito lenta”.

Paralelamente às condições que visam o povo da Ribeira Brava, o autarca pretende a dinamização do concelho enquanto polo de atratividade, registando-se que 2017 é um ano de topo ao nível de eventos. “É nesse sentido que queremos perspetivar o futuro da Ribeira Brava, com iniciativas que trazem retorno para o comércio e que proporcionam uma outra dinâmica ao concelho, não só na zona baixa mas também nas zonas altas”.

Projeto da escola contempla alguns espaços desportivos

Quando se fala em Ribeira Brava ponto de paragem, numa alusão ao que acontecia antigamente, em que os autocarros paravam no centro, antes das vias rápidas, Ricardo Nascimento lembra que “os tempos são outros e nunca mais vamos voltar a essa realidade, por essa via”, apontando como soluções, entre outras, a afluência de pessoas através dos jogos de futebol, de que o campo municipal é exemplo porque vai permitir que o Ribeira Brava faça os jogos em casa. Tudo isto traz pessoas à Ribeira Brava. É por aí o caminho, pelos eventos que tenhamos a capacidade de criar”.

O polo desportivo separado da nova escola, cuja opção do governo, foi construir no próprio local onde se encontra o atual estabelecimento de ensino, criou algum descontentamento e algumas vozes discordantes, que defendiam a escola e os espaços desportivos numa única zona. Será este um problema para a Ribeira Brava? O presidente da Câmara diz que não lhe parece que seja. “A situação relacionada com a construção da nova escola, foi ponderada e mais do que ponderada. O Governo Regional decidiu, e acho que bem, construir no mesmo local. E segundo sei, o projeto contempla alguns espaços desportivos, podem não abranger todos os alunos, mas existem para grande parte”.

Em termos de grandes obras, até terminar o mandato, Ricardo Nascimento aponta a repavimentação da Estrada da Ribeira da Tabua, ao abrigo da Lei de Meios, bem como a melhoria da zona de acesso ao cemitério do Campanário, como sendo objetivos que vão ao encontro das populações e das melhorias aguardadas.