PSD e CDS “chocam de frente” quanto à tolerância de ponto por causa de Fátima

Fotos: Rui Marote

O debate “ferveu” hoje na Assembleia Legislativa Regional entre PSD e CDS, já que os centristas resolveram criticar a decisão do chefe do Executivo madeirense, Miguel Albuquerque, de pôr ele próprio em xeque o princípio da continuidade territorial, ao não conceder tolerância de ponto na Madeira aquando da vinda do papa Francisco a Fátima.

Só que o que a bancada do CDS não esperava era uma resposta tão fulminante como a que protagonizou o deputado social-democrata Carlos Rodrigues, que acusou os centristas, o partido “mais chegado à igreja”, de contrariar inclusive a opinião de distintos prelados como o bispo de Leiria-Fátima na matéria, e de se servirem da religião para aproveitamentos políticos, consequentemente, desrespeitando-a. Acusações que fizeram mossa entre os centristas, com Rui Barreto e em particular Lopes da Fonseca a expressarem a sua discordância e indignação, entrando em diálogo com os social-democratas, algo que já havia acontecido aquando de uma intervenção de Jaime Filipe Ramos, aliás, na qual Lopes da Fonseca se considerou mesmo injuriado.

O presidente da ALRAM, Tranquada Gomes, exortou à ordem nos trabalhos, ao não desvio dos temas em discussão e a determinados níveis de civilidade que, salientou, já são do conhecimento dos deputados, não sendo necessário, a todo o tempo, instruí-los sobre esta matéria.

O PSD e o CDS “bateram de frente” após uma discussão sobre uma proposta dos comunistas relativamente à atribuição de apoios à Cultura na RAM reclamando a inclusão dos agentes culturais madeirenses nos apoios a nível nacional concedidos às artes – uma velha reivindicação dos mesmos.  No entanto, as alterações propostas pela deputada do PCP, Sílvia Vasconcelos, esbarrou na discordância da social-democrata Vânia Jesus que considerou que existe regulamentação e critérios bem claros para os apoios ao nível regional, critérios esses que o PCP também pretendia ver alterados e melhor esclarecidos; já quanto à abrangência dos programas nacionais de apoio aos artistas insulares, o PSD deixou a impressão de que apoiará a proposta do PCP.