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Mandaram publicar o anúncio no Parlamento de que a questão do Ferry estava em Bruxelas. “A Europa vai tratar do assunto” saudando-se a proeza e a astucia governamental que assim teria calado a oposição e os desesperados!
Se a informação publicitada madeirense fosse mais critica, preparada e estudiosa, saberia questionar e duvidar desses propósitos, muito comuns em vésperas de autárquicas. Desde já perguntando porque só agora é que descobriram a necessidade de colocar a questão em Bruxelas….
Mas é imperioso clarificar algumas coisas.
Desde logo ficou a saber-se de que o que vai ser (?) colocado na União Europeia é apenas o transporte de passageiros pela via marítima, não podendo ser agregado o transporte de mercadorias. Compreende-se! O transporte de mercadorias está, pela legislação europeia, em mercado livre e o Governo Regional não pode ajudar empresas que façam esse transporte, mesmo que em comunhão com o transporte de passageiros. Ou melhor não o pode fazer sem ajudar as outras empresas que só transportam mercadorias.
O transporte marítimo de passageiros sem mercadorias (por exemplo sem os veículos) além de ser pouco aliciante para as transportadoras é ainda menos aliciante para os madeirenses, pelo lado da procura. O grande atractivo daquele tipo de transporte é poder levar o carro e sem isso só uma minoria de “fanáticos pelo mar” é que irá de barco para o continente.
Depois, colocando-se a questão em termos de interesse público (subsidiação a residentes nas ilhas para se deslocarem, como justificativo para o “auxílio de Estado”) a hipótese de interligação das ilhas da macaronésia que antes existia, deixa de ser possível. A linha passaria a ser apenas entre portos nacionais, ou até, mais precisamente, da Madeira para o continente. A vertente turística e de cruzeiro, lá se vai!
Ou seja, “a solução na mesa de Bruxelas” é uma verdadeira fantochada, sem qualquer viabilidade ou interesse que apenas serve para enganar incautos e alguns incansáveis arautos do regime.
Curiosamente, no mês de Março e longe de cenários eleitorais (as últimas eleições regionais e locais ocorreram há dois anos), Canárias noticiou ter chegado a acordo com o Governo de Espanha sobre a revisão do seu regime económico e fiscal, correspondendo à satisfação em metade da denominada “agenda canária” acordada entre o Partido Popular (PP) e a Coligação Canária (CC).
Conforme se lê nas notícias publicadas nos jornais vizinhos, pela primeira vez, a condição de região ultraperiférica e de dupla insularidade é reconhecido pelo Reino espanhol. Lê-se no comunicado oficial que assistir-se-á à consolidação de um tratamento diferencial a Canárias expresso, por exemplo, na concessão de fundos específicos e suplementares nas políticas de emprego, no financiamento adicional, entre 50 e 75%, por parte do Estado do POSEI, destinado à produção regional, na consolidação das ajudas ao transporte aéreo de residentes entre Canarias e a Península e inter-ilhas no valor de 50 % do bilhete e numa ajuda ao transporte marítimo interinsular de 25 a 50% e até 70% no custo do transporte de mercadorias por barco para fora do arquipélago.
Medidas concretas e muito significativas para a economia e para as pessoas das Canárias, com efeitos já no orçamento de 2018, aguardando-se a sua confirmação pelo Parlamento de Canárias e pelas Cortes espanholas.
Naquela Comunidade autónoma elegeu-se com objectivo estratégico para a economia e para os residentes o apoio público ao transporte, diminuindo a inexistência de economias de escala para a economia insular e constituindo um verdadeiro meio de coesão territorial. Lá não se questiona a subsidiação e tanto quanto se saiba os canarianos não são menos “europeus” do que os madeirenses.
Aqui continuamos condenados a promessas inconsequentes e mal estudadas. Perante essa “coligação” regional de interesses que faz da propaganda notícia, sem qualquer crivo ou análise, se calhar mais vale pensar em mudar de residência a ir viver para Las Palmas onde a ultraperiferia e a insularidade são levadas a sério e vertidas na economia.
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