Rui Barreto exorta políticos a colocarem a dignidade humana em primeiro lugar e a protegerem o sistema político-partidário da desagregação

Fotos: Rui Marote

O deputado centrista Rui Barreto salientou na sessão comemorativa do 25 de Abril, hoje no parlamento regional, que o sistema político partidário corre risco de desagregação, hoje, na Europa e nos EUA, numa altura em que, desde o final da Segunda Guerra Mundial, o mundo enfrenta situações particularmente perigosas. Além do terrorismo, um flagelo da sociedade contemporânea que se multiplica, as situações de conflito entre nações e movimentos ideológicos também se têm expandido.

Como exemplo da potencial desagregação do sistema político e partidário, deu o caso da França, “com o risco do fim da V República, à vista de todos nós”.

Consequência da exclusão social, o ódio alimenta o populismo, que advoga o regresso ao proteccionismo, às fronteiras, à limitação de liberdades e garantias, referiu.

“Hoje, um dos exemplos mais dramáticos a que a falta de capacidade de diálogo conduz, é a situação que se vive na Venezuela”, e que afecta milhares de emigrantes madeirenses naquele país.

Abordando a descrença no sistema político e partidário e nos agentes económicos, Rui Barreto referiu que também em Portugal e na Região se sente esse fenómeno, com uma baixa impressionante do nível confiança dos cidadãos nos seus representantes.

“Muitos dos políticos que antecederam a minha geração desiludiram aqueles a quem deviam representar por acreditarem ser, eles próprios, uma espécie de “casta”, que exercia o poder por direito divino e não em resultado de um mandado dado por aqueles a quem devem justificações, respeito, lealdade”, salientou.

Abordando as promessas vãs, disse que mesmo na Madeira há muitos exemplos das mesmas, e de sorrisos que servem apenas para enfeitar cartazes.

Lamentou, pois, “a espécie de Hara Kiri [suicídio] a que se dedicam, por vezes, os partidos tradicionais”, com uma “incapacidade de comunicar” e de se adaptar aos novos tempos.

Exortando aos políticos para que “entendam que devem ser verdadeiros”, o líder da bancada parlamentar do CDS defendeu que “a política deve estar sempre acima dos interesses económicos”, privilegiando a “dignidade humana”.

Prometer aquilo que não se pode ou não se tenciona fazer não é o caminho certo, avisou.