“Capelas ao luar” quinta-feira na Mãe de Deus (Caniço)

A Capela Mãe de Deus, no Caniço, acolhe, na próxima quinta-feira, dia 27 de Abril, a terceira ação do projeto “Capelas ao luar”. Evento que se inicia pelas 21.00 horas, com um apontamento de música renascentista por elementos da Orquestra Clássica da Madeira, ao que se segue, pelas 21.30 horas, uma visita guiada à Capela, por Rita Rodrigues e Francisco Clode.

Na ocasião, será ainda lançado um guia patrimonial.

Organizada pela Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, através da Direção Regional da Cultura, esta ação conta com a participação da Orquestra Clássica da Madeira-Associação de Notas e Sinfonias Atlânticas (OCM-ANSA).

Depois das Capelas de Santo António da Mouraria-Assembleia Legislativa da Madeira e da Nossa Senhora da Vitória, ambas no Funchal, a iniciativa “Capelas ao Luar” chega, assim, ao Caniço, regressando depois ao Funchal, à Capela de Nossa Senhora da Consolação, na próxima semana, a 4 de maio. Até ao final do mês, o projeto deverá passar pela Capela de São Lourenço, na Fajã da Ovelha e pela Capela do Espirito Santo, na ilha do Porto Santo.

Tal como já é habitual, as inscrições poderão ser feitas em: capelasaoluar.drc@gmail.com. Recorde-se que as mesmas são gratuitas.

Sobre a Capela Mãe de Deus

A Capela da Mãe de Deus, situada no sítio que tem este mesmo nome, no Caniço, concelho de Santa Cruz, é uma típica ermida de construção ainda de traça manuelina. Apresenta uma só nave; portal de arco pleno executado em cantaria regional; rosácea sobre o portal; e remate em empena com Cruz de Cristo.

Estava implementada numa antiga propriedade que, ao longo dos tempos, foi sendo desmembrada. A primitiva propriedade, conhecida por Fazenda das Moças, pertencia a duas irmãs, Isabel Álvares e Leonor Álvares, que fizeram testamento em 1536, provendo, então, a ermida de alfaias, vestimentas e três retábulos. Por questões de empobrecimento e diminuição das terras, Leonor Álvares, que viria a falecer em 1552, alterou as determinações testamentárias no ano de 1546, já depois da morte da irmã, e a verdade é que apenas foi executado um retábulo encomendado por um dos administradores da capela, Álvaro Gonçalves ou Cristóvão Martins Salvago.

Esse retábulo é o que ainda se encontra in situ, de traça maneirista, datado de c.1560, como também as cinco pinturas sobre madeira: “S. Tiago Maior”; “São João Batista”; “Santa Catarina de Alexandria”; “Santo António”; e, ainda, a pintura na porta do sacrário, representando um “Cálice”. As pinturas estão atribuídas a Diogo de Contreiras, pintor português ativo entre 1521 e 1565 e representante do Maneirismo.

No centro do altar-mor, encontra-se uma imagem da “Mãe de Deus”, onde deveria ter estado uma imagem ainda da primitiva construção, mas apenas se conhece uma escultura, já seiscentista, que não se encontra na capela mas à guarda do pároco.

A Capela da Mãe de Deus está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1940.