Crónica Urbana: Governo Regional, tiro no pé com eleições à porta

 

Rui Marote

Quem não se recorda dos mandatos do presidente de Câmara de Lobos, dos anos 1986 até Dezembro de 2001, quando Gregório Nascimento Ornelas estava à frente da edilidade?
Fomos colegas de turma em vários anos, no Colégio Nuno Álvares (o Caroço). Em 2001, o autarca desafiou Jardim, anunciando que a edilidade iria cobrar entradas no Cabo Girão.
Esse anúncio custou-lhe o afastamento de candidato às eleições de 2001 e da política. Jardim não perdoou a Gregório e até manifestou mesmo, assertivamente:  “Ninguém paga”!
Dezasseis anos depois, a Secretaria Regional de Finanças anuncia em ano de eleições (talvez à deriva de Miguel Albuquerque) que a partir de Maio, madeirenses e turistas, para ter acesso ao maior promontório da Europa terão de pagar um bilhete no valor de 1 euro e meio. Aos domingos, no entanto, a entrada é gratuita.
Estão em fase de acabamento as obras para implementar essa cobrança.
A medida visa garantir a preservação e rentabilização do espaço aprazível para milhares de turistas e madeirenses.
Será que os estabelecimentos naquele espaço, que pagam as suas rendas, não comportam a preservação desse espaço? Os toilletes ali existentes já pagam 0.50 cêntimos, e bem, pela sua utilização.
Mas também já assistimos ao anúncio de que os passeios nas levadas seriam pagos e essa intenção abortou.
Já agora recordo o que se passou no Estádio dos Barreiros no tempo do director regional de Desportos, prof. João Lucas, que introduziu um sistema de “roletas” para o controlo dos adeptos que assistiam aos jogos.
Na sua estreia, Alberto João foi à “bola” e teve de passar pelo “torniquete”. Não gostou e deu ordens para desactivar. Conclusão: essas “roletas”, que custaram dinheiro, acabaram numa arrecadação até os dias de hoje.
Mas a borla na Madeira tem os seus dias contados. Já deve estar na mente de Rui Gonçalves que as vias rápidas terão de ser pagos. O governante parece gostar do conceito do utilizador pagador. É paga e não bufa …!!!
O que os turistas não irão pagar (por enquanto) é o Sol e o clima ameno.
Estes miminhos do Governo de Miguel Albuquerque começaram na Quinta Vigia, sede da Presidência do Governo, na qual os turistas, para visitar os jardins, pagam 1 euro tudo a bem da preservação…
Será que a Praça do Povo e os jardins limítrofes no coração da cidade têm outro dono? Os canteiros, para além de mal cuidados, revelam uma falta de bom gosto. Depois do desaparecimento das primeiras plantas, por morte ou vandalismo, a substituição foi feita com o que havia à mão. Faltam flores, não há harmonia de formas e texturas. Uma pobreza florística a escassas semanas da Festa da Flor, que terá neste palco a grande exposição de floricultura. Os WC continuam encerrados embora tenham sido postos a concurso, que ninguém arrematou.
Graças ao sistema de irrigação que ainda funciona mantém-se algum verde, principalmente o alecrim para os  “maus olhados”.
O contrato com a empresa que fazia a manutenção dos jardins já desde há muito que finalizou. O palco de um dos maiores cartazes de promoção da Madeira tem duas facetas: na Praça do Povo, o Melhor das flores da Região, em exposição: ao redor, a imagem da degradação.


Para finalizar vamos falar do Miradouro Del Rio, em Lanzarote, que tem uma panorâmica sobre a Ilha Graciosa (ver fotos). Numa das visitas que fizemos à ilha de Lanzarote foi na cobertura de uma cimeira Canárias -Madeira entre os governos das duas Regiões, já lá vão cerca de trinta anos. O governo canário proporcionou uma visita ao Miradouro Del Rio, com um belo restaurante envidraçado, tipo bunker disfarçado na paisagem. Nessa altura, verifiquei que a entrada era paga, com os seguintes valores: turistas, 100 pesetas; canários, 20 pesetas, mediante apresentação do seu cartão (recorde-se que os madeirenses sempre rejeitaram ter um bilhete de identidade madeirense) de residente em Canárias.

Nós não descobrimos a pólvora.
Mas em ano de eleições é dar um tiro no pé. Que se cuide a Rubina: enquanto uns querem apertar o garrote aos madeirenses, vamos pagando o “buraco financeiro” e o Governo Regional quer arranjar dinheiro de qualquer maneira. Os madeirenses vão começar a espernear quando derem conta da devolução do IRS, assunto para uma nova crónica.
Há outros que preferem dar música ao povo, de mãos largas: 50.000 euros para Ana Moura na Praça do Munícipio.
Volto a lembrar a grande lição de Massano de Amorim: “não tenho dinheiro para aqueles que choram, muito menos para aqueles que cantam”. Será que Miguel Albuquerque bebeu na fonte do governador de Goa?

Questionamos apenas porque não se implanta na Madeira uma taxa municipal turística de dormida, à semelhança de Lisboa. E não teriam de pagar mais nada. Seria por isso que os turistas deixariam de vir à Madeira?