
*Com Rui Marote
Segundo o Funchal Notícias foi informado, faleceu uma figura castiça do Funchal dos velhos tempos, daquelas que já vão escasseando um pouco pela nossa urbe. Trata-se do popular ‘Inguilha’, como era conhecido (esquecemos, na realidade, o seu verdadeiro nome) e foi, em tempos, um singular ardina de um matutino funchalense.
Entre as suas muitas peculiaridades, estava anunciar o dito matutino no último dia do ano, trazendo uma fogo de artifício do ano anterior (numa edição antecipada do primeiro dia do ano novo), apelando à compra, pois o dito diário “já traz o fogo”. Os clientes estranhavam e perguntavam como podia ser assim, se ainda faltavam vários minutos para a meia-noite… Ou seja, na pressa de desempenhar-se bem da sua missão, o dito ardina não conseguia conter-se e esperar mais uma ou duas horas para começar a vender o referido matutino, de modo a dar mais credibilidade à reportagem do fogo…
Era ferrenho adepto do PSD e chegava a cantar em comícios, principalmente a sua famosa canção da ‘Amélia’. Conversador descarado, tinha sempre resposta na ponta da língua.
Também costumava, no Carnaval, encarnar de modo estranhamente convincente o antigo superintendente da PSP Madeira, Nuno Homem Costa, completo com farda, bigode e maneirismos. Punha-se no meio das vias a orientar o trânsito, lembrando de forma impagável o ex-comandante da PSP, nas alturas em que resolvia assumir uma faceta “operacional”…
Mais tarde, tendo abandonado a profissão de ardina, tornou-se contínuo do pavilhão da Escola Secundária de Jaime Moniz.
Nos últimos tempos, fora atacado por várias crises hepáticas, e encontrava-se de baixa aguardando uma cirurgia.
Faleceu ontem ao final da tarde.
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