A selfie na hora da despedida

Ilustração de José Alves

D. António Carrilho completa esta terça feira, 11 de abril, o seu 75º aniversário natalício. Uma ocasião que remete para a sua sucessão, já que atinge a idade da chamada “reforma”.

Por determinação do direito canónico, este é o momento em que deve enviar uma carta a Roma a pedir a renúncia do ofício, cabendo ao Papa aceitar e nomear novo prelado, ou pedir ao atual que se mantenha em funções por mais algum tempo.

De há uns tempos para cá que em muitas mentes fervilha a curiosidade e – quem sabe? – o desejo: Quando irá o Bispo da Diocese do Funchal deixar as funções?

No entanto, do Paço Episcopal não sai qualquer fumo branco sobre o assunto. A rotina parda e o perfil discreto do prelado deixam pouca margem de manobra às conjeturas sobre quando e como será a sua saída.

D. António Carrilho, que conduz os destinos da Diocese do Funchal desde 2007, sucedendo ao controverso consulado de 25 anos de D. Teodoro de Faria, tem mantido a questão do seu futuro longe das atenções públicas.

Por Agência Ecclesia

Cumprido o requisito da idade, a resignação está agora mais perto, mas há quem diga que o Bispo não estará muito interessado em seguir o lema do seu brasão de armas da fé – Faz-te ao largo -, preferindo antes gerir uma conjuntura de “banho maria”, em que alguns assuntos polémicos, como a herança de Eugénia Freitas Bettencourt, continuam por resolver.

Criticado por alguns como figura do agrado do sistema, o pastor dos católicos madeirenses tem fintado as crises com muitos sorrisos para a fotografia.

Esperemos então pela decisão do Papa Francisco. A ele caberá a última palavra quanto ao momento da mudança. Só ele saberá quando pressionar o botão para a última selfie de D. António Carrilho.

Nota: O cânone n.º 401, §1. Código de Direito Canónico diz o seguinte: «Roga-se ao Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, que apresente a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice, o qual providenciará depois de examinadas as circunstâncias.» Em nota explicativa, acrescenta o referido cânone: «Este c. recolhe o pedido dos Bispos diocesanos para que apresentem a resignação pelos seguintes motivos: idade avançada ou falta de saúde ou outra causa grave. Esta prescrição foi indicada em termos gerais no Decreto «Cristus Dominus» 21, e foi concretizado no M.P. «Ecclesiae Sanctae» I, 11, determinando que, para efeitos da renúncia ao ofício, se considere idade avançada os 75 anos completos. A renúncia não produz efeitos «ipso iure», mas compete ao Romano Pontífice aceitá-la ou não, depois de ponderar as circunstâncias».