
As consultas de nutrição na medicina privada não são comparticipadas pelo sistema regional de saúde. Custa o mesmo valor que todas as outras, 55 euros, mas não está convencionada e, por isso, o custo é assumido na totalidade pelo utente.
Num momento em que o combate às obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares é um imperativo categórico, e sabendo os profissionais de saúde que um das principais causas das doenças de hoje, além da genética, são os erros de nutrição e outras problemáticas associadas, ninguém compreende como os titulares da saúde não assumem a comparticipação da consulta. Entretanto, desdobram-se em seminários, corridas preventivas, congressos e outros eventos a apelar a uma alimentação saudável.
Para quem tem abundantes recursos materiais, a comparticipação não faz falta. Mas para a maioria dos cidadãos, a comparticipação das consultas de nutrição justificam-se, ao mesmo nível que todas as outras.

Ana Freitas, de 46 anos de idade, pesa mais de 90 quilos. É natural de Porto Santo, onde trabalha numa empresa privada. O médico de família, no Centro de Saúde, dá a sua orientação mas não chega. No Hospital Dr Nélio Mendonça, as consultas de nutrição não respondem a todas as solicitações e variam de caso para caso, com critérios de atendimento muito seletivos consoante as patologias. Em alternativa, esta utente conta-nos que recorreu a uma médica de nutrição, que também faz parte da equipa hospitalar. A resposta, obviamente mais célere e acompanhada, tem deixado a utente satisfeita, mas o problema é quando se dirige aos reembolsos da saúde, com os recibos das consultas: “As consultas de nutrição não são comparticipadas. Apenas o são as de endocrinologia”.
Uma situação que desencadeou a indignação desta utente que contactou o Funchal Notícias no sentido de alterar as entidades públicas para a necessidade de rever esta prática. “Afinal, a cassete diária dos governantes e associações é o apelo a hábitos alimentares regrados, o combate à gordura, o que está correto, mas depois preferem gastar mais dinheiro em tratar os utentes com as doenças já instaladas do que comparticipar o combate ou a prevenção?”
Consultas de psicologia também à margem
Há bem pouco tempo, o FN alertava para outro tipo de consulta que também não é comparticipada e que é cada vez mais procurada. Falamos das consultas de psicologia. Ontem, comemorou-se o Dia Mundial da Saúde, cujo tema central foi a depressão, cada vez mais uma problemática emergente. Porém, uma ida ao psicólogo custa 55 euros e também sem comparticipação do serviço regional de saúde.
Segundo o FN apurou, esta comparticipação só poderá existir para certo número de consultas, se um médico psiquiatra elaborar um relatório detalhado a justificar o recurso ao psicólogo. Quer isto também dizer que isto se aplica aos doentes que se tratam em duas frentes: no psiquiatra e no psicólogo, como muitas vezes acontece. Mas também é comum um doente procurar apenas a ajuda de um psicólogo e nele encontrar a resposta aos seus problemas, sem passar pela psiquiatria.
Entre muitos “fogos” que os titulares da saúde na Região são chamados a combater, juntam-se mais estas problemáticas que fazem parte da realidade quotidiana. Afinal, todos estes titulares aprenderam nas universidades que frequentaram que o gasto ou a aposta deve ser sempre e em primeiríssimo lugar na prevenção das doenças para evitar despesas maiores no tratamento.
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