Gigantes dos mares marcam o ritmo de uma cidade ainda adormecida

Fotos FN.

Num dos recantos da Barreirinha, no final de uma sexta feira, há um navio de cruzeiro que zarpa do Porto do Funchal e faz prender o olhar de quem fica na despedida. Todo ele é colossal e já com sinais de alguma rodagem em mar aberto. Deixa o Funchal lenta mas seguramente, numa manobra hercúlea mas a simular um pequeno brinquedo que roda airosamente numa lagoazinha que é o profundo e enigmático oceano.

À medida que se vai partindo, o rebocador despede-se desta rota e regressa ao Funchal,a todo o transe, também ele em silêncio. A bordo deste colosso da companhia inglesa “P&O Cruises” que rasga o azul das águas rumo a outra estância de férias, navegam centenas e centenas de passageiros ávidos de descanso, animação e belas enseadas como a Madeira. Quem fica por cá, não tem lenços para acenar. Mas perde o olhar num quadro rotineiro no porto mas sempre aprazível e misterioso.

Também é verdade que choca ver aquela chaminé de fumo negro a poluir os céus cerúleos. Mas, não há bela sem senão, já diz a sabedoria popular. O banquete está a ser preparado nas cozinhas deste hotel flutuante para servir com pompa e circunstância mais tarde. Antevemos a azáfama do pessoal, de nacionalidades múltiplas, a trabalhar 12 a 15 horas em alto mar, para mostrar um pedaço de paraíso na terra, nestes gigantes dos mares.

O navio vai rompendo a linha do horizonte. E nós ficamos por cá. À espera de outras e outras sereias do mar. Tem sido esse, afinal, o nosso destino de ilhéus, de chegadas e partidas apressadas mas sempre muito apaixonadas.

Dizem por aí que há uma quebra no fluxo de passageiros no porto desta cidade. Também a história é feita de ciclos, de altos e baixos, de tempestades e bonanças. A maré não será hoje tão favorável como outrora? Talvez… Mas os madeirenses que vivem à beira mar já não acordam da mesma maneira sem a inconfundível chegada, silenciosa, elegante e firme, destes elegantíssimos paquetes que, pelas sete da manhã, já entram cidade adentro, qual barquito à vela que encosta ao cais. Uma hora depois, sucede-lhe a orquestra diária proporcionada pelo som inconfundível dos motores do Lobo Marinho que vai ali (Porto Santo) e já volta. Que melhor orquestra, a título gratuito.

Quando a cidade mal acorda, tanta vida já aconteceu no rasgar da madrugada desta cidade. Num porto pequeno mas rico de histórias contadas em todas as línguas.

 


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