Crónica Urbana: A utopia do crescimento

 

Rui Marote

Embandeirar em arco que somos a região no Mundo que mais cresceu envaidece-nos e ao mesmo tempo coloca-nos em “bicos de pés”. O madeirense sempre gostou de dar foguetes antes da festa.
Vamos a Lisboa a apresentar o projecto do ferry, mas a nossa ingenuidade leva-nos a uma ressalva: é “inviável”.
Já em Bruxelas, de chapéu na mão durante o Fórum das Regiões Ultraperiféricas, em que os nossos objectivos seguiam de vento em popa, entregamos o “ouro ao bandido” exclamando: – A Madeira é a Região do Mundo que mais cresceu…
Posição diferente teve o director regional das Pescas, com uma frase que ficará célebre para definir o estado da nossa frota pesqueira: “Nem mais um prego suporta os nossos barcos”.
Recordamos o governador de Goa, general Massano de Amorim quando uma comissão de peregrinos das festas de São Francisco Xavier foi ao palácio pedir um donativo para uns cantantes.
O governador respondeu: – “Não tenho dinheiro para aqueles que choram. muito menos para aqueles que cantam…” Podemos tirar desta resposta as conclusões para o crescimento anunciado e para regressarmos de mãos vazias.
A propósito, um facto interessante. Há duas alturas no ano que o movimento do Porto do Funchal atinge a maior afluência de navios de cruzeiro: na Primavera e no Outono, mais precisamente nos meses de Março e Abril, com o regresso dos navios transatlânticos da América do Sul e das Caraíbas para o velho continente.
A Madeira irá receber 50 barcos enquanto os Açores recebem 70.
Não me causa surpresa. Há seis anos que aguardo este desfecho.
A região tem estado sempre presente em Miami, na maior feira de cruzeiros, e sempre representada pela APRAM, que apresenta aos operadores a nossa oferta.
Nos últimos anos, a nossa representação não teve capacidade de diálogo, e quem nos representou, nem a língua do Shakespeare domina.
Nos últimos anos tem havido uma diminuição de cruzeiros.
Os navios oriundos da América preferem escalar os Açores nas suas viagens para Europa em Abril e Maio e no regresso em Outubro e Novembro.

No passado mê de Março, os Açores receberam mais de 17.000 cruzeiristas e 7.000 tripulantes, navios que normalmente passam o Inverno sediados nas Caraíbas e que nesta altura iniciam seu regresso à Europa para a temporada de Verão.
Abril é normalmente o mês de maior movimento de cruzeiros nos Açores, com escalas em todas as nove ilhas do arquipélago. Muitas dessas escalas são os chamados itinerários transatlânticos. Entre todas as escalas acontecerão em Ponta Delgada, haverá visitas inaugurais dos navios Midnatsol da operadora norueguesa Hurtigruten, do Koningsdam, novo almirante da Holland America Line, e do Aida Diva, da operadora alemã Aida Cruises, escalas que merecerão por parte das autoridades portuárias desta cidade a atenção que é devida nestas alturas. Navios que, partindo de diversos portos americanos, vêm para a Europa para a época de Verão.
Os Açores estimam receber em Abril perto de 50.000 passageiros e mais de 15.000 tripulantes nos diversos portos do arquipélago, o que constitui uma excelente oportunidade de divulgação da beleza de todas as ilhas. Naturalmente que o Porto de Ponta Delgada com 23 escalas e cerca de 30.000 passageiros e 11.000 tripulantes será aquele que terá o maior movimento.
São de salientar as 8 escalas programadas para a cidade da Horta, 5 na Ilha Terceira e 4 nas ilhas de Santa Maria e Pico, assim como três escalas agendadas para as ilhas de São Jorge e Flores, e as duas que ocorrerão na Ilha do Corvo. No dia 9 de Abril, as Portas do Mar e o Porto Comercial receberão três navios, no que se perpectiva ser o dia de maior movimento, com mais de 6.000 passageiros e 2.300 tripulantes oriundos dos mais variados pontos do globo.
Aqui fica o nosso alerta; continuamos a dormir à sombra da bananeira, numa hibernação de utopia de números, ostentando a bandeira do maior crescimento.