Escândalo no hospital com parque de estacionamento a assaltar o bolso dos cidadão face à impotência de quem manda

 

Apenas um exemplo de quem ficou menos de 2 horas de manhã e menos de 2 horas de tarde. Mais de seis euros. Imagine-se quem tem de ficar manhãs inteiras… Fotos FN.

Terça feira, 04.04.2017, das 11h46-12h45. Parque do Hospital Dr Nélio Mendonça, valor a pagar: 03,15 euros. No mesmo dia, das 19h00-20h45: 03,15 euros. É este escândalo que persiste no parque de estacionamento do principal hospital da Madeira, obra prima do Governo Regional anterior e herança aparentemente amada ou encaixada do atual Governo.

Há anos que os utentes têm alertado o SESARAM, os Governos e demais entidades para esta ignomínia e o silêncio pesa, mantendo-se tudo igual, a onerar ainda mais o bolso dos utentes que são forçados a ir ao hospital. Já não basta a maleita que afeta tantos e, por conseguinte, os seus familiares, e lá têm que pagar a uma empresa privada balúrdios diários para arrumar o carro. Se fogem do parque e dos seus “generosos honorários”, têm a polícia à perna no exterior, onde os espaços de estacionamento são em escasso número. Se deixam dentro do hospital, além da fragilidade dos doentes e dos familiares, pagam um dos parques mais caros do país, se não o mais caro de todos. Para doentes, familiares e profissionais de saúde. E todos fazem de conta que não ouvem nem sabem. Será que, quando vão ao hospital os nossos governantes pagam estes verdadeiro “taxímetro” ou podem estacionar ao lado da urgência ou num passeio à beira do serviço procurado?

Bem podem apregoar os “pacotes” e as promoções mas os utentes que vão ao hospital ainda se diferenciam dos que vão ao supermercado ou às compras. O FN pôde pagar a fatura  mas não faria mal aos governantes fazerem o exercício de vestirem a pele dos que têm paupérrimos recursos, que vêm de longe e o carro é um bem que assegura as deslocações para o emprego e outras solicitações da vida. Além dos gastos na farmácia, além do desgaste psicológico, lá assaltam o bolso dos utentes com valores elevados de parquímetro, dentro de uma instituição de saúde pública.

O FN interroga-se: será necessário subsidiar também a empresa que explora o Parque, dado o contrato leonino que foi firmado e que parece amarrar as autoridades governamentais?

Médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde mostram-se solidários com o que chamam de “escândalo silencioso mas sempre a faturar”. Todos obrigados a pagar, ou então, a prescindir, indo a pé ou de autocarro, mesmo com horários e turnos que saem da escala dos transportes públicos.

Minuto a minuto, lá vai entrando o veículo para a obrigatória chamada. As tabelas estão à vista de todos. Melhor optar pelos “packs”, como está na moda dizer-se. Curvados ao taxímetro, até no hospital, o cidadão procura despachar-se da obrigação que o leva ao velhinho mas imprescindível hospital, mas o relógio pertence à equipa médica, também ela chamada a acudir múltiplas solicitações e a consulta agendada para uma hora sofre atrasos e mais atrasos, naturalmente onerando os mais carenciados. No parquímetro, são justificações que não colam: ou paga ou o carro fica no parque. E todos, como soi dizer, “comem e calam”, à boa maneira portuguesa.

Segundo nos explicou um enfermeiro, até já foi colocada a hipótese de fazer uma manifestação para travar este problema. Mas o meio é demasiado pequeno e problemático e quem fala fica identificado. “Faltam pensos, material corrente e medicamentos. Os preços do parque é mais uma ofensa à dignidade dos utentes como outras que se verificam dia a dia, e nós de mãos e braços amarrados…”, comenta ao FN um dos profissionais de saúde, mesmo à entrada do parque.

Ninguém discorda de pagar para estacionar o carro até no hospital. Mas a tabela de preços é manifestamente chocante e, entre tantas mudanças, também esta deveria ser revista e não deixar andar como tem acontecido.