Rui Marote
Há certos governantes que, por ingenuidade ou para manifestar honestidade, continuam sem saber estar na política.
A semana que finalizou trouxe novamente a lume os transportes marítimos.
“O sonho” do ferry está no programa Eleitoral do Governo. Dentro de dias faz dois anos que esta promessa continua por se cumprir.
Isto evoca-me uma história. Certo dia, um comerciante dirigiu-se a uma entidade bancária e pediu para falar com gerente.
Ao ser recebido, apresentou um projecto , pedindo financiamento.
A sua honestidade levou-o a confessar que o projecto era inviável.
Claro que já devem saber qual a resposta do gerente bancário..!
A opção era entre mandar o cliente “à fava” ou emprestar o dinheiro e exigir uma percentagem (corrupção).
Todos sabemos (e não há milagres) que um ferry tem os seus custos e não há lucros mas sim prejuízos.
Os madeirenses não têm culpa de existir na Constituição da República, uma alínea que garante a continuidade territorial.
Está escrito, é para se cumprir, e se não se cumpre, retira -se do “livrinho” e passamos novamente a regime de colonia.
O secretário regional Eduardo Jesus, tipo Egas Moniz, desloca-se a Lisboa com a corda ao pescoço, levando o projecto do ferry. que apresentou à senhora ministra com uma ressalva: é inviável.
Resposta: não há ferry. A continuidade territorial está garantida com o transporte aéreo, dois pontos travessão linha abaixo.
Mais uma históriazinha esta real, quando fui pela primeira vez a Goa, ouvi de um jovem professor de História goês uma história de um governador geral, de nome general Massano de Amorim, que conhecia de nome de uma placa toponímica em Lourenço Marques, avenida onde residi e que Samora Machel retirou e colocou ‘Mao Tse Tung’.
Massano de Amorim ao receber uns peregrinos que solicitavam apoio de transporte para as festas de São Francisco Xavier, respondeu: “Quem tem Fé, vai a pé”, maneira prática de despachar a comissão das festas.
O senhor secretário já meteu água no subsídio de transporte aéreo, que não soube negociar com Lisboa.
Os madeirenses continuam penalizados e desesperam para receber o dinheiro depositado que é seu, perdendo o seu tempo numa estação de correios e em fotocópias.
Depois vamos assistindo aos deputados madeirenses na Assembleia da República, uns que manifestam que o Governo Regional não soube negociar, outros deitando as culpas ao Governo da República.
Ultimamente, para criar tempo, realizam-se visitas de deputados da comissão de Economia e de Transportes à Região; são recebidos aqui e ali, no meio de almoçaradas, mas sem solução à vista.
O que não se compreende é Eduardo Jesus mencionar que é inviável. e depois colocar culpas na Ministra.
Em matéria de transportes não há nada para inventar. Podemos é melhorar.
Temos os nossos vizinhos canários para os quais continuamos de costas voltadas. Lá foi o tempo em que fazíamos duas vezes por ano cimeiras, ora cá, ora lá. Hoje fazemos umas visitinhas como ultimamente, para estilistas.
Vamos saber como se procede ao transporte aéreo com a Península. Eles já têm experiência há mais de 30 anos, não há projectos imaculados mas podemos saber o que eles tem de mal e o de bom, e arranjarmos uma solução.
O mesmo com os transportes de ferry: eles têm seis ilhas … Funciona ou não funciona?
Esta semana tem o secretário da Economia, Turismo e Transportes uma oportunidade de denunciar no Forum das Regiões Ultraperiféricas, Terras Europeias no Mundo. que se realiza em Bruxelas nos dias 30 e 31, a situação dos nossos transportes aéreos e terrestres e dizer com todas as letras que Portugal não cumpre com o princípio da continuidade territorial. Tenhamos coragem, da mesma forma que tivemos a ingenuidade de apresentarmos um plano inviável…
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