O Mexilhão e a Mobilidade

O mexilhão somos todos nós, os madeirenses e porto-santenses quando precisamos de viajar e sair da região. Muito embora exista um teto máximo fixado para o custo da viagem aérea, no acto da reserva e pagamento temos de desembolsar o preço exorbitante que o oligopólio EasyJet e TAP parece terem acordado por debaixo do tapete. Os operadores riem-se, esfregando as mãos de contentamento, sentados nas respectivas contas de exploração.

O sistema de mobilidade acordado entre a Região e o Governo Central não acautela os interesses dos cidadãos, antes favorece o lado dos operadores. Esta é que é a grande verdade, custe a quem custar! Até parece que o Estado anda a subsidiar a nossa companhia de bandeira, intenção que de outro modo seria impossível de concretizar, aproveitando a boleia a EasyJet que deve estar a agradecer todos os dias a tontice dos portugueses. É gritante, pela iniquidade, quando comparamos preços de viagem para outros destinos europeus equiparados em distância.

Portanto, o sistema tem de ser urgentemente saneado destas iniquidades que assolam fortemente o bolso dos portugueses, no caso em apreço designados de madeirenses e porto-santenses

Porém, quem ouve falar o Governo Regional conclui que o grande culpado disto tudo é o Governo Central. Não deixa de haver um pouco de verdade na tirada, até porque agora é tempo de preparar as próximas eleições autárquicas e vale tudo na caça ao voto. Mas, tenham por favor piedade de nós, simples votantes, não somos tão tontos assim, muito embora nos queiram fazer crer que sim.

«No lançamento deste novo sistema de custos compensatórios houve a urgência na reformulação do anterior e o facto de os Açores terem a funcionar um sistema muito mais vantajoso que o sistema madeirense de então. Reconheço que a urgência política possa ter toldado então as mentes dos nossos responsáveis.

Tudo seria diferente se tivesse sido contemplado o preço médio histórico das viagens à data, muito inferiores aos actuais, como ponto de partida no actual sistema de custos compensatórios.

Na verdade, a variação dos preços das viagens ficaria indexada a um preço médio histórico, variando em função dos custos da operação – salários, combustível, etc. – e não em função dos humores das administrações das companhias. Que, a avaliar pela necessidade do reforço recente em 5 milhões, por parte do Estado, no total anual dos custos compensatórios, passando-os de 11 para 16 milhões anuais, revela um humor insaciável. Não esquecer que este dinheirinho sai dos nossos bolsos por via dos impostos que pagamos.

Não tenho quaisquer dúvidas que, nas actuais condições de operação da rota da Madeira, as companhias aéreas atrás referidas devem estar muito satisfeitas quando olham para a rentabilidade da linha, naturalmente das primeiras dos seus portefólios.

O que é certo é que, enquanto o sistema não é revisto e ajustado, as companhias engordam e o mexilhão sofre.