Crónica Urbana: Pedir perdão e perdoar… e acabar com os processos

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Rui Marote

Não sou Juiz de Paz!
Ponderei se devia ou não, nas minhas paupérrimas crónicas, abordar este assunto. Faço o meu dever de cristão, a partir daqui está nas mãos dos dois protagonistas, um septuagenário, o outro octogenário.
21 anos passados fizeram com que Jardim, depois de gozar de imunidade como conselheiro de Estado, se sente agora no banco dos réus no julgamento por artigos de opinião publicados no Jornal da Madeira, a 23 e 26 de Novembro de 1994, que foram considerados pelo professor António Loja “atentatórios do seu bom nome, honra e consideração”, sob o título “A loja dos rancores”.
Recordamos que António Loja, de 1976 a 1979, a convite de Jardim, foi deputado independente do PPD na Assembleia da República dos sociais-democratas.
Considera-se um social-democrata (dos países nórdicos) mas veste a capa de socialista em Portugal.
Esta mágoa mora nos corações de ambos, há duas dezenas de anos a corroer. Tudo isto por um pedido de desculpas e uma indemnização de 600 contos, hoje 3000 euros.
Pedir perdão nem sempre é fácil, e perdoar é difícil.
Sou um leitor assíduo da Bíblia e por vezes vejo-me a dar a palavra daqueles livros sagrados.
Pela lei hebraica, só era possível perdoar três vezes. O apóstolo Pedro, para se tornar bonzinho, perguntou ao Senhor: devemos perdoar sete vezes? Era mais que a lei vigente nessa época, era o dobro e mais um. Jesus respondeu: setenta vezes sete. O perdão é irrestrito é a única possibilidade de um verdadeiro ajuste de contas.
O julgamento já foi adiado por sucessivos recursos e deverá prosseguir a 1 de Abril. Quanto já custou ao erário público e aos actores esta história, que continua a fazer manchete nos media?
Já era tempo de enterrar o machado de guerra. E deixar o tribunal para coisas sérias.
Saber perdoar é coisa séria mas pedir perdão também não é assim tão difícil: quando assumimos o erro não pode haver braço de ferro.
Parafraseando Jesus, “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”…


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