Rui Marote
Nos tempos que correm, só apetece cantar uma morna, adaptada à nossa realidade:
“Sodade, Sodade, Sodade, dessa minha terra, Funchal”…
Presto homenagem a Cesária Évora, plagiando este seu sucesso. Porquê? Porque, hoje em dia, contemplando o que surge à nossa volta, a saudade aperta, pelo Funchal de outros tempos. Vejamos a Rua 31 de Janeiro e a Rua 5 de Outubro, a Ribeira de Santa Luzia… Os turistas deliciavam-se observando esta autêntica ‘colcha’ de bungavílias que cobria os cursos de água que atravessavam a cidade. Era um verdadeiro cartaz turístico, colírio para os olhos. Quantas e quantas fotografias foram tiradas, para mais tarde recordar.
Hoje, as bungavílias deram lugar ao betão, escorado por travessões. Será que em breve se cumprirá o sonho de há dezenas de anos, que era tapar as ribeiras e fazer nascer estacionamentos para automóveis sobre as mesmas, numa altura em que o Funchal não tinha os parques de que hoje dispõe? Dado o número sempre crescente de carros na nossa urbe, concretizar-se-á essa ideia iluminada?
Ora observe bem o leitor o antes e o depois. Tudo em nome da “segurança”.
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