João Baptista enuncia catástrofes que fustigaram a Região nos últimos dez anos e apela a novo modelo de desenvolvimento sustentável

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Fotos: Rui Marote

O engenheiro geólogo João Baptista deu esta tarde uma conferência na Câmara Municipal do Funchal, na qual analisou tanto as catástrofes naturais que têm assolado a cidade nos últimos anos, como os comportamentos humanos que têm potenciado essas mesmas catástrofes, e ainda outros que em nada contribuem para a protecção da nossa casa natural, o meio ambiente em que vivemos.

O conhecido cientista e ambientalista chegou mesmo a dizer desconhecer outra cidade que tenha sofrido tanto como o Funchal nos anos mais recentes, e enunciou as razões para tal consideração, acrescentando alguns problemas que também afectaram outros locais na Região: o escaravelho que dizimou as palmeiras; a chegada do mosquito transmissor da dengue; os aluviões e suas múltiplas consequências; a intrusão da água do mar em locais aonde anteriormente não chegava; os deslizamentos de terras; os múltiplos incêndios; a erosão da praia do Porto Santo; a perda de solo agravada por várias grandes obras; os múltiplos aterros existentes na RAM, com mistura de solos; as pedreiras abandonadas sem processo de recuperação paisagística; as múltiplas pragas, que incluem a vespa das galhas do castanheiro, a mixomatose que dizimou os coelhos da ilha do Porto Santo; a doença henorrágica viral; a praga do escaravelho que afecta a bananeira; a varoose, que afecta as abelhas; a praga dos citrinos…

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A culminar este quadro negro, que se traçado por outra pessoa menos autorizada até poderia se calhar ser apelidado de catastrofista, João Baptista conclui que “a nossa casa comum está doente”, e mesmo “a precisar de cuidados intensivos”. A respeito, cita mesmo que “Deus perdoa sempre, o Homem às vezes, a Natureza nunca”. Prosseguiu o orador para a abordagem das circunstâncias peculiares às ilhas, que se caracterizam por espaço físico limitado, isolamento, economias pequenas, populações pequenas, forte influência do ambiente externo e elevados custos de transporte. “A Mãe Natureza reage sempre às perturbações às perturbações a que é submetida, para se manter em equilíbrio”, sublinhou.

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Abordando a forma como muitos cidadãos lançam lixo à natureza sem se preocuparem com nada, João Baptista referiu o tempo que os materiais levam para se decomporem. Por exemplo, a casca de fruta leva três meses, o mesmo tempo que um guardanapo de papel; já uma beata de cigarro, para se desfazer, demora dois anos, enquanto que uma pastilha elástica demora cinco anos; sacos e copos de plástico demoram muito mais, entre 200 e 450 anos; uma lata de alumínio leva de 200 a 500 anos para desaparecer, e o vidro, um tempo ainda indeterminado.

O engenheiro geólogo abordou ainda outros problemas que assumem contornos mais imediatos e preocupantes para a maioria das pessoas, porque as suas consequências são facilmente observáveis e por vezes dramáticas, como as derrocadas. Nessa medida, deu vários exemplos de queda de pedras que atingiram, inclusive, automobilistas e fizeram perigar pessoas e bens, causando mesmo, em certos casos, a morte de pessoas. Através de suporte audiovisual, João Baptista sustentou as suas múltiplas advertências, exibindo numerosas e chocantes fotografias de impacto ambiental no Funchal e na Região, com encostas escalvadas, lixo lançado no ambiente, incêndios devastadores, grandes obras a destruírem tudo em redor e a causarem consequências só visíveis a longo prazo e outras situações francamente assustadoras.

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Concluindo, o cientista defendeu que é preciso um novo compromisso sobre o cuidado do meio ambiente, citando, inclusive, o papa Francisco quando este diz, a propósito da Terra: “Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la”. Falando da crescente pegada ecológica deixada pela população mundial, que não pára de crescer, o orador relembrou o Conselheiro João Silvestre Ribeiro, governador civil da Madeira entre os anos de 1846 e 1852, que, disse, realizou uma obra extraordinária em prol da floresta e do sistema ecológico da Madeira, contando para tal com a colaboração do clero, autarcas e população. Uma inspiração para a criação de um novo modelo de desenvolvimento sustentável. João Baptista advertiu: “Uma região rica é aquela que conhece, protege e valoriza os seus recursos naturais”.


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