Obrigado, Dr. Mário Soares!

 

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Há pouco, numa mensagem que, nesta hora de dor profunda, enviei ao João, seu filho, tive a oportunidade de lhe sublinhar, embora ele o conheça, o meu sentimento sobre o seu Pai, o Dr. Mário Soares, e do que significou, e significa, para mim, essa figura ímpar da abnegada luta pela democracia quando em ditadura, da corajosa defesa da democracia tão dificilmente conquistada em ‘74, da intransigente e inquebrantável vontade de a consolidar e garantir aos portugueses o clima de liberdade que permitisse ao País romper as amarras a que estava sujeito e partir à conquista do futuro.

Tive o privilégio e a honra de conhecer Mário Soares e de com ele partilhar alguns combates pela democracia, pela liberdade e pela defesa das causas em que, inspirado pela sua determinação e vontade de ajudar a construir uma sociedade mais justa e mais fraterna, me sentia envolvido e para as quais me considerei sempre mobilizado. Mário Soares, – exemplo de uma tolerância que sempre exercitou como bandeira maior da democracia e da convivência entre os cidadãos, independentemente das suas ideologias, dos seus credos, das suas raças e das suas origens -, nunca abdicou, apesar disso, do essencial e foi assim, com patriotismo, realismo e um sentimento agudo do interesse nacional e das exigências da modernidade e das marcas civilizacionais que não podiam ser descuradas que entregou, sem reservas, a sua vida e a sua experiência, rica sob os pontos de vista humano, cultural, político e social, a Portugal, aos portugueses e à exigência decisiva da sua afirmação na Europa, no Mundo e no concerto das nações.

Mário Soares, que a História confirmará como o mais prestigiado político da democracia portuguesa, no País e fora dele, cumprindo com sabedoria, inteligência e dedicação os mais altos cargos da Nação, – Deputado na Assembleia da República, Deputado no Parlamento Europeu, Ministro, Primeiro-ministro, Presidente da República e Conselheiro de Estado -, deixa o seu nome ligado a tudo o que de mais importante aconteceu em Portugal neste nosso evoluir em liberdade: a Constituição da República; a normalização da vida em democracia, com a democracia e cumprindo as suas regras; os compromissos assumidos com os portugueses; a dignificação do poder local e das autarquias respectivas; a adesão à, então, CEE e o que isso significou na criação de condições para um mais rápido e exigente desenvolvimento do País e das condições de vida dos portugueses e, entre muitas outras concretizações, o seu papel, absolutamente decisivo, para transformar em realidade uma velha aspiração dos madeirenses e açorianos: a consagração constitucional da Autonomia e o apoio activo e efectivo ao seu desenvolvimento, aprofundamento e clarificação, com os excelentes resultados que hoje, felizmente, podemos testemunhar.

O PS, Partido fundado na Alemanha em 1973, de que Mário Soares é fundador e o seu primeiro militante, a que cedo aderi por me identificar com Mário Soares e com os seus propósitos, foi-nos mantendo parte da mesma família política e ideológica, e hoje, dia em que ele nos deixou, tenho a certeza de que, para além do respeito que ele merece e continuará a merecer, o maior dos sentimentos a expressar é de gratidão.

OBRIGADO, DR. MÁRIO SOARES!

 


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